2025 ao microscópio
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Uma das maiores forças motrizes do ser humano é a curiosidade. A curiosidade é um impulso que nos leva a explorar o desconhecido, a compreender o mundo que nos rodeia e até mesmo a entender a nossa própria biologia. Pode nascer do simples desejo de saber, mas também da vontade de transformar o conhecimento em saúde ou impacto social.
Os instantâneos de 2025 são um exemplo de como a curiosidade, através da investigação, pode ser transformada em avanços na área da saúde. Trata-se de oito imagens captadas pelos investigadores da nossa rede que refletem algumas das descobertas mais notáveis do ano e que, pelas suas cores e texturas, poderiam passar por verdadeiras obras de arte. Em várias delas, artistas bolseiros da Fundação ”la Caixa” contribuíram com a sua interpretação criativa, convidando-nos a contemplar a ciência a partir de uma perspetiva completamente nova.
Novos caminhos para combater o cancro
Os microtúbulos que vemos na imagem, formados por proteínas chamadas tubulinas, atuam como um andaime que suporta a estrutura da célula e coordena os seus movimentos. Participam, por exemplo, na distribuição do ADN durante a divisão celular, um processo que, se alterado, pode favorecer o desenvolvimento do cancro.
Um estudo liderado por Helder Maiato, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) do Porto, descobriu que uma modificação química da tubulina alfa, chamada destirosinação, é fundamental para orientar corretamente os cromossomas durante a divisão celular, uma descoberta que abre novas oportunidades para melhorar o diagnóstico e o tratamento do cancro.
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Os nossos aliados face ao excesso de calorias
Quando consumimos mais calorias do que precisamos, as células chamadas adipócitos armazenam o excesso sob a forma de gordura para evitar que esta se acumule noutros órgãos e tecidos, onde poderia ser tóxica.
Um estudo do Centro Nacional de Investigaciones Cardiovasculares (CNIC), liderado por Miguel Ángel del Pozo, revelou como estas células se conseguem expandir sem se danificarem graças às cavéolas, pequenas dobras da sua membrana que atuam como sensores e amortecedores de tensão e que permitem que elas armazenem grandes quantidades de lipídios de forma segura. Esta descoberta amplia a nossa compreensão das doenças metabólicas e abre caminho a novas estratégias no combate a distúrbios associados ao excesso energético, como a obesidade e a síndrome metabólica.
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Um elemento-chave nas fases iniciais da doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer provoca uma degeneração progressiva dos neurónios que afeta a memória, as competências sociais e até a identidade, e ainda não tem cura. Tradicionalmente, pensava-se que a lesão cerebral exigia a presença de duas proteínas associadas à doença: a beta-amiloide e a tau.
Um estudo recente do Barcelonaβeta Brain Research Center (BBRC) descobriu que a beta-amiloide, por si só, pode danificar o hipocampo – uma região fundamental para a memória – em fases iniciais e antecipar os sintomas. A descoberta, baseada em amostras do Estudo Alfa, promovido pela Fundação ”la Caixa”, e em ressonâncias magnéticas de alta resolução, reforça a importância da deteção precoce e a necessidade de ensaios clínicos direcionados a pessoas em risco de sofrer da doença.
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Novo avanço contra o cancro do fígado
Mais de 860 000 casos de cancro do fígado são diagnosticados todos os anos, sendo o carcinoma hepatocelular o mais comum e um dos mais letais. A doença é complexa. Existem quatro subtipos com alterações genéticas e características diferentes, o que torna difícil prever a resposta de cada doente ao tratamento.
Um estudo liderado pelo doutor Josep M. Llovet, do Hospital Clínic – IDIBAPS, desenvolveu uma plataforma de rastreio com 25 modelos de ratos e organoides – órgãos em miniatura – que reproduzem estes subtipos e permitem avaliar a eficácia dos tratamentos em cada caso. Os primeiros resultados apontam a cladribina como um tratamento promissor em combinação com a terapia padrão, abrindo caminho a terapias mais precisas e personalizadas.
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A viagem celular que nos dá um rosto
Nesta imagem, vemos células da crista neural em pleno desenvolvimento embrionário. Estão a migrar para formar estruturas como o rosto. O grupo de Eloísa Herrera, do Instituto de Neurociencias CSIC-UMH, descobriu que duas proteínas, ARID1A e ZIC2, são fundamentais para que estas células iniciem a sua viagem; e que, quando falham, podem causar malformações craniofaciais. Esta descoberta abre as portas a futuras terapias.
Para a bolseira da Fundação ”la Caixa” e artista Marta Velasco, a mesma imagem sugere a passagem do tempo, desde as coisas ínfimas às enormes superfícies materiais milenares, e lembra-lhe a obra de artistas como Helen Frankenthaler e Tracey Emin. Como podemos ver, uma imagem científica pode ser, ao mesmo tempo, uma pista para compreender o desenvolvimento do nosso corpo e uma fonte de inspiração visual.
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Uma nova pista contra o enfarte
Para o bolseiro da Fundação ”la Caixa” Guillermo Mora, um laboratório e um estúdio de um artista têm muito em comum: em ambos há pesquisa, tentativa e erro. Ao olhar para este instantâneo, vê deslocação, um mapa de movimento e fuga que lhe faz lembrar as obras de Karla Black. Mas o que é que ele mostra realmente?
A imagem mostra uma artéria com placas de gordura acumuladas nas suas paredes, que podem causar aterosclerose. A equipa de David Sancho, do CNIC, descobriu que algumas células do sistema imunitário, as cDC1, participam na formação destas placas. Ao eliminá-las em modelos animais, as placas diminuem, o que abre caminho a terapias mais precisas e eficazes.
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Uma ligação sem precedentes entre o cérebro e o intestino
À primeira vista, esta imagem pode parecer uma obra de arte contemporânea: uma textura artificial e quase aleatória. Para Gema Álava, artista e bolseira da Fundação ”la Caixa”, evoca um céu estrelado ou uma rede de cidades iluminadas vistas do ar. Dar-lhe-ia o título de “Universos do máximo e do mínimo”. Faz-lhe lembrar as pinturas de Jackson Pollock, pelo seu dinamismo e aquela sensação de movimento suspenso.
Na verdade, a imagem mostra neurónios POMC do hipotálamo, uma região do cérebro que regula o apetite e o metabolismo. A equipa de Marc Claret, investigador do IDIBAPS, descobriu que estes neurónios podem alterar a composição da microbiota intestinal em poucas horas, confirmando que o cérebro e o intestino comunicam em ambos os sentidos. Esta descoberta abre novos caminhos ao tratamento de doenças como a obesidade, a diabetes tipo 2 e certos distúrbios digestivos.
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O escudo celular que protege contra o cancro
Tanto na arte como na investigação do cancro, ver para além do óbvio pode transformar a nossa maneira de interpretar uma obra e de compreender uma doença. Para Max Azemar, artista e bolseiro da Fundação ”la Caixa”, as texturas e a sobreposição de planos nesta imagem evocam o momento de uma explosão de luz, a energia de uma aurora boreal e até mesmo a forma como o absinto era representado no impressionismo do século XIX.
A nível científico, a imagem mostra uma descoberta da equipa de Xavier Trepat e Alice Perucca, do Instituto de Bioingeniería de Cataluña (IBEC): os fibroblastos. Os fibroblastos são células do ambiente tumoral que formam uma barreira que impede as células imunitárias de matar as células do cancro da mama. A descoberta foi feita graças ao MIRO, um chip desenvolvido pelo seu grupo que recria um tumor e o seu ambiente, permitindo observar como estas barreiras impedem a imunoterapia. Esta descoberta abre novos caminhos a tratamentos mais eficazes e personalizados.
Contamos-lhe mais na entrevista completa e no thread do X e Bluesky.
