Sexta-feira 28

News From the lab: Conseguiremos treinar o sistema imunitário?

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O cancro da bexiga é um dos tumores urológicos mais comuns. Em mais de 75% dos casos, é diagnosticado quando o tumor ainda não é músculo-invasivo, ou seja, quando ainda não atingiu o músculo da bexiga. 

O tratamento de referência consiste na administração da BCG, uma vacina derivada do Mycobacterium tuberculosis que é introduzida diretamente na bexiga para ativar o sistema imunitário e travar a doença. 

Esta abordagem tem, no entanto, uma limitação: nem sempre evita as recidivas nem impede a progressão do tumor. 

Por este motivo, a equipa de investigação do Instituto de Investigación sobre Inmunopatologías (IrsiCaixa) e do Institut de Recerca Germans Trias i Pujol, em colaboração com a Archivel Farma, propôs uma nova abordagem: e se conseguíssemos treinar o sistema imunitário antes do tratamento para melhorar o seu efeito? Cecilia Cabrera, investigadora principal do estudo, dá-nos a resposta a esta pergunta nesta edição do News From the Lab. 

Uma forma de o conseguir poderia ser utilizando a RUTI®, uma vacina baseada em fragmentos de Mycobacterium tuberculosis e concebida para treinar o sistema imunitário. 

«A RUTI® funciona como um pré-aquecimento do sistema imunitário», explica Cecilia. «Ativa e prepara as defesas para que, quando chegar a BCG, o sistema imunitário responda mais rapidamente e com mais força.» 

Para avaliar esta estratégia, a equipa realizou um estudo com 40 doentes que foram acompanhados durante 5 anos. Os resultados, publicados na revista European Urology, foram especialmente promissores: menos recidivas, menor progressão e maior sobrevivência no grupo que recebeu a RUTI® antes da BCG. «De facto, durante o acompanhamento, não se registaram mortes entre os doentes que receberam a combinação das duas vacinas, em comparação com três mortes registadas no grupo que recebeu apenas a BCG», acrescenta Cecilia. 

O próximo passo é confirmar os resultados em ensaios de maior dimensão, «mas os sinais são claros», explica a investigadora: «reforçar o sistema imunitário antes do tratamento pode fazer uma diferença significativa na evolução destes doentes».

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