A manchete sobre inovação que gostaria de ler
Publicado em

No último ano, os avanços na medicina e na saúde têm dominado as manchetes nas redes sociais, blogues e jornais, lembrando-nos de que a investigação nunca para.
Cada nova descoberta aproxima-nos um pouco mais da manchete dos nossos sonhos, daquela utopia que pode ser diferente para cada um de nós – “As causas da doença de Alzheimer reveladas”, “Encontrada a cura para o cancro”, etc. – e que os investigadores tentam tornar realidade através de um fator-chave: a inovação. Com esta combinação de criatividade, colaboração e empreendedorismo, trabalham para transformar as suas descobertas em soluções que cheguem à sociedade, tornando possível o que antes parecia impossível.
Por isso, perguntámos aos investigadores da nossa rede qual seria a manchete dos seus sonhos para 2026 e de que forma estão a inovar para transformar essa utopia em realidade. Para eles, o impossível é só um pouco mais difícil do que o difícil.
«Listas de espera para cirurgias amplamente reduzidas»
Esta é a manchete que gostaria de ver um dia em todos os jornais Ancor Serrano, médico especialista adjunto do Serviço de Anestesiologia, Reanimação e Terapêutica da Dor do Hospital Universitari de Bellvitge, em Hospitalet de Llobregat, Catalunha. «O tempo de espera para uma cirurgia é uma das principais fontes de preocupação e deterioração da saúde, além de ser um fator de stress para os sistemas de saúde e para os seus profissionais», explica.
«Para atingir este objetivo, e com o apoio do concurso CaixaImpulse de Inovação em Saúde, desenvolvemos um software que facilita a preparação pré-operatória dos doentes, evitando exames e consultas desnecessárias e reduzindo o tempo até à intervenção. Além disso, os profissionais de saúde poderão dedicar mais tempo aos doentes que realmente necessitam, reduzindo cancelamentos e complicações», acrescenta.

Ancor Serrano, médico especialista adjunto do Serviço de Anestesiologia, Reanimação e Terapêutica da Dor do Hospital Universitari de Bellvitge.
«Criadas medulas espinais humanas em laboratório para acelerar o desenvolvimento de terapias regenerativas»
Para Zaida Álvarez, investigadora Ramón y Cajal e PI do grupo Biomaterials for Neural Regeneration no Institut de Bioenginyeria de Catalunya (IBEC), esta manchete representaria uma mudança de paradigma na forma como são estudadas e tratadas as lesões na medula espinal, passando de modelos animais para sistemas preditivos humanos que pudessem ser diretamente transferidos para a prática clínica. Que passos está a dar, em termos de inovação, para tornar isso possível?
«Com o apoio da Fundação ”la Caixa”, estamos a desenvolver uma plataforma impressa em 3D onde possam ser cultivadas medulas espinais humanas em miniatura (organoides) para estudar a fisiopatologia das lesões da medula espinal. Além disso, estamos a conduzir ensaios clínicos com medicamentos transportados por nanopartículas que facilitam a chegada da medicação aos neurónios, com o objetivo de melhorar a neuroproteção e a regeneração após a lesão», explica Zaida.

Zaida Álvarez, investigadora Ramón y Cajal e PI do grupo Biomaterials for Neural Regeneration no Institut de Bioenginyeria de Catalunya (IBEC).
«Desenvolvido tratamento regenerativo minimamente invasivo e de longa duração para dores na região lombar»
A manchete de sonho de Joana Caldeira, investigadora do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, tem que ver com a dor lombar, uma condição comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, muitas vezes, não encontra uma solução a longo prazo nos tratamentos atuais.
Com o apoio do concurso CaixaImpulse de Inovação em Saúde, Joana está a trabalhar numa terapia pioneira para que, um dia, a sua manchete de sonho se torne realidade. «Estamos a desenvolver um material sintético injetável que recria o ambiente pré-natal, contribuindo, desse modo, para a regeneração dos tecidos e para o alívio da dor. Esta solução inovadora poderá estabelecer um novo padrão para as terapias preventivas e antienvelhecimento.»

Joana Caldeira, investigadora do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto.
***
Será que estas manchetes serão publicadas em 2026? Talvez não exatamente assim, e não todas de uma vez. Mas o importante não é a data da manchete, mas sim o caminho que já está a ser percorrido. Por detrás de cada uma destas manchetes, estão profissionais que acreditam que a sua investigação pode transformar o amanhã e converter as necessidades reais em soluções tangíveis.
A inovação na saúde não se constrói com base em grandes promessas, mas sim em avanços constantes que, passo a passo, mudam a vida das pessoas. E quando isso acontece, a manchete deixa de ser uma utopia para se tornar notícia!
