{"id":11595,"date":"2025-10-30T12:17:36","date_gmt":"2025-10-30T11:17:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/?p=11595"},"modified":"2025-10-30T12:17:36","modified_gmt":"2025-10-30T11:17:36","slug":"saude-mental-a-grande-questao-pendente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/saude-mental-a-grande-questao-pendente\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental: a grande quest\u00e3o pendente"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/COujaK6NUIw?si=jti5t30e0SLIszCQ\" width=\"400\" height=\"225\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">45% das pessoas t\u00eam um problema de sa\u00fade mental ao longo da vida. Atualmente, as perturba\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o a <\/span><b>principal causa de incapacidade no mundo <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">em todos as faixas et\u00e1rias, ultrapassando, em termos de impacto, qualquer outro problema de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ansiedade, depress\u00e3o, depend\u00eancias, doen\u00e7a bipolar e esquizofrenia s\u00e3o apenas alguns exemplos de perturba\u00e7\u00f5es que, apesar da sua elevada preval\u00eancia, continuam rodeadas de <\/span><b>estigma e barreiras ao diagn\u00f3stico e ao tratamento.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante d\u00e9cadas, o debate em torno da sa\u00fade mental tem-se movido entre dois polos: o dos que colocam os <\/span><b>aspetos biol\u00f3gicos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> em primeiro lugar e o dos que d\u00e3o mais import\u00e2ncia aos <\/span><b>determinantes sociais.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> No entanto, estudos mais recentes demonstram que esta dicotomia \u00e9 artificial e impede o avan\u00e7o na compreens\u00e3o real destas perturba\u00e7\u00f5es. A ci\u00eancia atual procura, portanto, conciliar as duas abordagens, reconhecendo que a gen\u00e9tica e a neurobiologia interagem constantemente com <\/span><b>o ambiente, as condi\u00e7\u00f5es de vida e as experi\u00eancias pessoais.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m dos sintomas, as pessoas com problemas de sa\u00fade mental deparam-se frequentemente com <\/span><b>a incompreens\u00e3o social e a falta de recursos de apoio adequados<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Em Espanha, a sa\u00fade mental tem sido historicamente uma quest\u00e3o pendente: o investimento p\u00fablico \u00e9 muito inferior \u00e0 m\u00e9dia europeia e a falta de profissionais gera listas de espera intermin\u00e1veis. Esta situa\u00e7\u00e3o traduz-se numa<\/span><b> depend\u00eancia excessiva de medicamentos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, o que levou o pa\u00eds a tornar-se o recordista mundial no consumo de ansiol\u00edticos e tranquilizantes. A isto acresce um dado particularmente preocupante: <\/span><b>mais de dez pessoas suicidam-se todos os dias em Espanha<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, e o suic\u00eddio tornou-se a principal causa de morte entre os jovens espanh\u00f3is.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os especialistas concordam que a psiquiatria e a sa\u00fade mental enfrentam atualmente <\/span><b>tr\u00eas grandes desafios:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> preven\u00e7\u00e3o; melhoria do diagn\u00f3stico e do tratamento atrav\u00e9s da gen\u00e9tica e da medicina personalizada; e novas abordagens terap\u00eauticas, tanto farmacol\u00f3gicas como psicoterap\u00eauticas, ou combina\u00e7\u00f5es de ambas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas estas quest\u00f5es \u2013 e muitas outras \u2013 estiveram no centro do \u00faltimo Debate de Investiga\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o \u201dla Caixa\u201d, realizado a 22 de outubro, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas especialistas:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Enrique Baca Garc\u00eda<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 diretor do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Cl\u00ednica da Funda\u00e7\u00e3o Jim\u00e9nez D\u00edaz, que coordena os hospitais do Grupo Quir\u00f3nsalud integrados no Servi\u00e7o de Sa\u00fade de Madrid, e professor catedr\u00e1tico de Psiquiatria na Universidade Aut\u00f3noma de Madrid.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Josep Maria Haro Abad<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 diretor da Unidade de Ensino, Investiga\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o do Parc Sanitari Sant Joan de D\u00e9u de Sant Boi de Llobregat, investigador do Institut de Recerca Sant Joan de D\u00e9u e do CIBER de Sa\u00fade Mental, e professor associado de Medicina na Universidade de Barcelona.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>V\u00edctor P\u00e9rez Sola<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 diretor da \u00c1rea Assistencial e M\u00e9dica do Hospital del Mar de Barcelona, investigador do Hospital del Mar Research Institute e da \u00e1rea do CIBER de Sa\u00fade Mental, e professor titular de Psiquiatria na Universidade Pompeu Fabra.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De seguida, passamos em revista as principais ideias que os tr\u00eas especialistas abordaram durante o debate conduzido por <\/span><b>Esther Armora<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, redatora especializada em ci\u00eancia e sa\u00fade do jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ABC<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Preval\u00eancia e impacto das perturba\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><b>De que forma as perturba\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental afetam a popula\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA grande maioria destas perturba\u00e7\u00f5es tem in\u00edcio na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia: 60% dos adultos que sofrem de uma perturba\u00e7\u00e3o mental sofreram de uma perturba\u00e7\u00e3o nessas idades, embora n\u00e3o necessariamente a mesma. Isso significa que <\/span><b>temos de come\u00e7ar a preocupar-nos com todos estes problemas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, porque \u00e9 nessa altura que muitos fatores de risco s\u00e3o suscet\u00edveis de se desenvolverem.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Quais s\u00e3o as perturba\u00e7\u00f5es mais prevalentes?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAs perturba\u00e7\u00f5es de ansiedade e as perturba\u00e7\u00f5es depressivas, que afetam 10% da popula\u00e7\u00e3o, cada uma delas. N\u00f3s, especialistas, tamb\u00e9m nos preocupamos com perturba\u00e7\u00f5es que podem ser graves, como a esquizofrenia e a doen\u00e7a bipolar, embora saibamos que a perturba\u00e7\u00e3o de ansiedade e a perturba\u00e7\u00e3o depressiva tamb\u00e9m podem tornar-se graves e conduzir, por exemplo, a uma tentativa de suic\u00eddio, e um n\u00famero muito significativo, infelizmente, \u00e9 bem sucedido.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>O aumento da perce\u00e7\u00e3o das perturba\u00e7\u00f5es mentais \u00e9 reflexo de uma maior consci\u00eancia social?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abH\u00e1 cinco anos, enfrent\u00e1mos uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria: a pandemia e o isolamento social. Estas circunst\u00e2ncias conduziram a um stress extremo, com um aumento de at\u00e9 70% na incid\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es mentais. Da\u00ed resultou que os problemas mentais passassem para o primeiro plano do interesse social, pelo que \u00e9 poss\u00edvel que parte do aumento possa tamb\u00e9m ser explicado pelo facto de, hoje, estarmos mais conscientes e mais abertos para falar sobre eles, enquanto, antes, o estigma escondia muitos casos.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Quem sofreu mais com os efeitos da pandemia na sa\u00fade mental?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abContrariamente ao que se pensa, foram os jovens os mais afetados. Durante a adolesc\u00eancia, as rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o fundamentais para a independ\u00eancia e o desenvolvimento pessoal. As crian\u00e7as mais pequenas tamb\u00e9m foram afetadas, uma vez que o isolamento teve impacto no desenvolvimento da linguagem e das compet\u00eancias sociais.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_11554\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11554\" class=\"wp-image-11554\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog7-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog7-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog7-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog7-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog7-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog7-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-11554\" class=\"wp-caption-text\"><em>Esther Armora<\/em><\/p><\/div>\n<h3><\/h3>\n<h3><b>Fatores biol\u00f3gicos vs determinantes sociais<\/b><\/h3>\n<p><b>Qual \u00e9 o peso dos fatores biol\u00f3gicos e sociais nas perturba\u00e7\u00f5es mentais?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abDepende da perturba\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apresentar n\u00fameros globais. Por um lado, a predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica n\u00e3o se deve a um \u00fanico gene, mas a um conjunto que confere uma certa vulnerabilidade. Por outro lado, os fatores ambientais s\u00e3o tamb\u00e9m muito importantes para esta vulnerabilidade. Os n\u00fameros podem variar de 30 a 70%&#8230; Existem algumas condi\u00e7\u00f5es, especialmente circunst\u00e2ncias que ocorrem durante a inf\u00e2ncia, que aumentam significativamente o risco de desenvolver uma perturba\u00e7\u00e3o mental.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad<\/span><\/p>\n<p><b>Como \u00e9 que os primeiros anos de vida, a educa\u00e7\u00e3o e o ambiente familiar afetam a crian\u00e7a?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abO per\u00edodo de desenvolvimento emocional e cognitivo nos primeiros anos \u00e9 crucial, pois fornece ferramentas para enfrentar as dificuldades posteriores. A exposi\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia ou neglig\u00eancia infantil aumenta significativamente o risco de perturba\u00e7\u00f5es mentais. Entre os fatores psicossociais, este \u00e9 o mais determinante. O nosso sistema educativo e de apoio a crian\u00e7as e adolescentes deveria centrar-se nestas fases cr\u00edticas.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad<\/span><\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 o impacto das perturba\u00e7\u00f5es da sa\u00fade mental no er\u00e1rio p\u00fablico?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abPenso que as autoridades est\u00e3o conscientes de que a sa\u00fade mental \u00e9 uma prioridade para os cidad\u00e3os. \u00c9 vis\u00edvel nas pol\u00edticas p\u00fablicas, mas os or\u00e7amentos p\u00fablicos padecem de in\u00e9rcia, e chegam quando chegam e onde chegam. Os custos indiretos da sa\u00fade mental \u2013 o que a sociedade perde quando as pessoas sofrem destas perturba\u00e7\u00f5es e n\u00e3o conseguem desenvolver-se plenamente \u2013 s\u00e3o enormes. Se dissermos que os custos da sa\u00fade mental s\u00e3o superiores aos do cancro, da diabetes e das doen\u00e7as cardiovasculares todos juntos, percebemos realmente o impacto que t\u00eam na sociedade.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda<\/span><\/p>\n<p><b>A hist\u00f3ria familiar influencia o risco de desenvolver uma perturba\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abN\u00e3o s\u00f3 herdamos genes, como tamb\u00e9m crescemos num determinado ambiente familiar e social. \u00c9 dif\u00edcil separar o que \u00e9 puramente gen\u00e9tico dos fatores associados \u00e0 fam\u00edlia. Efetivamente, quem vive no seio de uma fam\u00edlia onde a depress\u00e3o est\u00e1 presente corre maior risco de sofrer da mesma, mas tanto por heran\u00e7a gen\u00e9tica como por todos os fatores de educa\u00e7\u00e3o, contacto e experi\u00eancias partilhadas.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda<\/span><\/p>\n<p><b>A gen\u00e9tica pode ser uma ferramenta para detetar o risco de sofrer de uma perturba\u00e7\u00e3o mental?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA gen\u00e9tica da sa\u00fade mental \u00e9 muito complexa. N\u00e3o existe um \u00fanico gene que determine uma perturba\u00e7\u00e3o, existem muitos genes que interagem entre si, com o ambiente e com as experi\u00eancias no in\u00edcio da vida. \u00c9 poss\u00edvel ter alguns genes num ambiente favor\u00e1vel e n\u00e3o desenvolver a doen\u00e7a, e vice-versa. Neste momento, estamos muito longe de compreender estas intera\u00e7\u00f5es, mas o que podemos fazer \u00e9 tentar aplicar a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para orientar melhor o tratamento, fazer aquilo a que se chama \u201cprescri\u00e7\u00e3o guiada\u201d.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_11562\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11562\" class=\"wp-image-11562\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog5-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog5-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog5-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog5-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog5-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog5-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-11562\" class=\"wp-caption-text\"><em>Enrique Baca<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Medicamentos e terapias: avan\u00e7os no tratamento<\/b><\/h3>\n<p><b>Que avan\u00e7os farmacol\u00f3gicos e cl\u00ednicos se registaram nos \u00faltimos anos?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abMais do que avan\u00e7os concretos, tem estado a ser desenvolvida desde os anos 70 uma linha muito promissora da psicofarmacologia moderna que permitiu que muitos doentes anteriormente condenados a viver num asilo pudessem levar uma vida independente ou com grande autonomia. Os avan\u00e7os registados a n\u00edvel da psicoterapia, da medica\u00e7\u00e3o e da reabilita\u00e7\u00e3o melhoraram consideravelmente a qualidade de vida dos doentes. Para n\u00f3s, o mais importante n\u00e3o \u00e9 curar uma doen\u00e7a, mas que a pessoa desenvolva o seu projeto de vida com o m\u00ednimo de limita\u00e7\u00f5es poss\u00edvel. Este facto \u00e9 tamb\u00e9m vis\u00edvel na pr\u00f3pria atitude da sociedade em rela\u00e7\u00e3o a estas pessoas, que passou da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o, e at\u00e9 \u00e0 ajuda.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEsta melhoria na aceita\u00e7\u00e3o social da doen\u00e7a e um maior conhecimento destas perturba\u00e7\u00f5es conduziu tamb\u00e9m a um melhor diagn\u00f3stico e tratamento. Do ponto de vista farmacol\u00f3gico, registaram-se alguns saltos qualitativos importantes, com o surgimento de medicamentos muito mais bem tolerados e mais eficazes, e, neste momento, estamos numa altura em que surgiram medicamentos para perturba\u00e7\u00f5es resistentes.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Para al\u00e9m da medica\u00e7\u00e3o, que estrat\u00e9gias se t\u00eam revelado eficazes para controlar o humor das pessoas com doen\u00e7a bipolar?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abOs tratamentos atuais s\u00e3o mais toler\u00e1veis e mais f\u00e1ceis de utilizar do que os anteriores, mas tamb\u00e9m dispomos de t\u00e9cnicas psicoterap\u00eauticas eficazes. No caso da doen\u00e7a bipolar, a psicoeduca\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental: ensina os doentes e as fam\u00edlias a reconhecerem os sintomas que devem fazer disparar o alarme para procurar ajuda. Trata-se de uma perturba\u00e7\u00e3o muito prevalente, que afeta cerca de 1% da popula\u00e7\u00e3o, e que apresenta per\u00edodos de euforia e de depress\u00e3o muito incapacitantes. A capacidade do doente ou do seu ambiente de identificar os primeiros sinais \u2013 como dormir menos \u2013 e contactar o seu m\u00e9dico ajuda muito a melhorar o tratamento.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/span><\/p>\n<p><b>Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o consumo de drogas, como a can\u00e1bis e a coca\u00edna, e a sa\u00fade mental?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAs perturba\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia s\u00e3o, em si mesmas, perturba\u00e7\u00f5es mentais, embora seja verdade que s\u00e3o, muitas vezes, acompanhadas por outras perturba\u00e7\u00f5es mentais. Al\u00e9m disso, o consumo de certas subst\u00e2ncias tem consequ\u00eancias graves para a sa\u00fade mental. Por exemplo, a can\u00e1bis, frequentemente desdramatizada a n\u00edvel popular, aumenta, de forma exponencial, o risco de doen\u00e7as mentais extremamente graves, como a esquizofrenia, sobretudo se for consumida numa idade jovem, abaixo dos 22-23 anos.\u00bb <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abNos \u00faltimos anos, irrompeu o consumo de metanfetaminas sint\u00e9ticas, subst\u00e2ncias de alto risco que podem induzir sintomas psic\u00f3ticos. Outras drogas, como a hero\u00edna, continuam a ser um desafio, mas, felizmente, dispomos de tratamentos eficazes. Por \u00faltimo, o problema causado por outras subst\u00e2ncias legais tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser ignorado: as consequ\u00eancias do \u00e1lcool na nossa sociedade s\u00e3o terr\u00edveis.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/span><\/p>\n<p><b>Existe um excesso de medicamentos para tratar certas perturba\u00e7\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEm Espanha, temos os n\u00fameros mais elevados da Europa no que diz respeito \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de psicof\u00e1rmacos. Por exemplo, quase 40% das mulheres com mais de 65 anos est\u00e3o a tomar benzodiazepinas. Isto deve-se a muitos fatores: a popularidade destes medicamentos, a facilidade com que s\u00e3o recomendados e a falta de profissionais, desde m\u00e9dicos de fam\u00edlia a psic\u00f3logos, o que resulta na incapacidade do sistema para oferecer apoio adequado a pessoas com sintomas que, na realidade, procuram uma resposta para problemas relacionados com o trabalho, sociais ou emocionais.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_11550\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11550\" class=\"wp-image-11550\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog8-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog8-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog8-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog8-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog8-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog8-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-11550\" class=\"wp-caption-text\"><em>V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>A import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o na sa\u00fade mental<\/b><\/h3>\n<p><b>\u00c9 poss\u00edvel prevenir as perturba\u00e7\u00f5es mentais?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA preven\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complexa, sobretudo porque as perturba\u00e7\u00f5es mentais dependem, em grande medida, de fatores ambientais. Vivemos numa sociedade muito din\u00e2mica, pelo que as medidas que funcionam hoje podem ficar obsoletas amanh\u00e3. Por exemplo, h\u00e1 20 anos, o insucesso escolar e o consumo de drogas eram considerados os principais fatores de risco de suic\u00eddio nos jovens. Hoje, por\u00e9m, o ciberbullying atrav\u00e9s dos telem\u00f3veis tornou-se o principal fator de risco.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abExiste uma preven\u00e7\u00e3o de base que consiste em ter bons h\u00e1bitos sociais, de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 f\u00e1cil de dizer, mas dif\u00edcil de implementar. Al\u00e9m disso, avan\u00e7\u00e1mos muito na chamada preven\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria: ser capaz de identificar e diagnosticar o mais cedo poss\u00edvel, e aplicar o tratamento correto desde o in\u00edcio para evitar complica\u00e7\u00f5es, por exemplo, o suic\u00eddio.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Existem estrat\u00e9gias que refor\u00e7am a ideia de atuar na preven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 a ser feito em Espanha neste sentido?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEstamos a come\u00e7ar a abordar o que se designa por treino social e emocional no sistema educativo. Consiste em as crian\u00e7as e os adolescentes saberem reconhecer as suas emo\u00e7\u00f5es, lidar com as suas dificuldades, reconhecer as emo\u00e7\u00f5es dos outros, mostrar empatia e resolver conflitos. A n\u00edvel individual, o efeito n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel no momento (estamos a falar de preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria), mas \u00e9 algo que ter\u00e1 um impacto ao longo da vida e reduzir\u00e1 o risco de sofrer de uma perturba\u00e7\u00e3o mental.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_11558\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11558\" class=\"wp-image-11558\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog6-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog6-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog6-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog6-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog6-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/CR_Debate_SaludMental_Blog6-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-11558\" class=\"wp-caption-text\"><em>Josep Maria Haro<\/em><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>As novas tecnologias: riscos e oportunidades<\/b><\/h3>\n<p><b>A utiliza\u00e7\u00e3o das redes sociais pelos jovens \u00e9 um fator de risco para a sa\u00fade mental?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAs redes sociais s\u00e3o um fen\u00f3meno relativamente novo e provavelmente todos n\u00f3s precisamos de aprender a geri-las melhor. Como qualquer avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, t\u00eam aspetos positivos e negativos. O grande problema \u00e9 a sua velocidade e dinamismo, que dificultam a adapta\u00e7\u00e3o da sociedade.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abRecomenda-se que a exposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e0 tecnologia seja muito gradual, uma vez que \u00e9 necess\u00e1ria uma certa maturidade neurobiol\u00f3gica. Antes dos tr\u00eas anos, deve ser muito limitada, pois, nessa fase, o mais importante \u00e9 o contacto humano direto. Entre os tr\u00eas e os seis anos, a utiliza\u00e7\u00e3o deve ser supervisionada e progressiva, e a supervis\u00e3o deve manter-se durante a adolesc\u00eancia.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAs redes sociais representam uma grande oportunidade para chegar aos segmentos jovens da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o abrangidos pelo sistema de sa\u00fade. Penso que tentar controlar as redes sociais \u00e9 uma miss\u00e3o imposs\u00edvel. Podemos fazer recomenda\u00e7\u00f5es, orientar os pais na sua utiliza\u00e7\u00e3o, etc., mas tamb\u00e9m temos de estar abertos para as utilizar em benef\u00edcio da dete\u00e7\u00e3o e do tratamento das perturba\u00e7\u00f5es mentais.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sola<\/span><\/p>\n<p><b>Neste sentido, de que forma o projeto Survive integra a utiliza\u00e7\u00e3o das tecnologias?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab\u00c9 um projeto que nos entusiasma bastante e que visa utilizar dispositivos m\u00f3veis para reduzir as tentativas de suic\u00eddio. A primeira fase envolveu 1800 pessoas que tinham tentado suicidar-se, mas os resultados iniciais n\u00e3o foram satisfat\u00f3rios e decidimos mudar radicalmente a abordagem.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAgora, utilizamos o telem\u00f3vel para monitorizar o comportamento de forma minimamente invasiva. S\u00e3o feitas perguntas ocasionais ao doente e ficamos a saber como ele se comporta. Desta forma, podemos detetar mudan\u00e7as de comportamento que, em pessoas em risco de suic\u00eddio, nos permitem antever uma tentativa com at\u00e9 uma semana de anteced\u00eancia, facilitando a interven\u00e7\u00e3o. Com esta abordagem, verificou-se uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 50% no risco de tentativas de suic\u00eddio\u00bb. \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>A sa\u00fade mental e os recursos do sistema de cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios<\/b><\/h3>\n<p><b>Os m\u00e9dicos de fam\u00edlia est\u00e3o equipados para detetar os problemas de sa\u00fade mental de forma adequada?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abTorn\u00e1mo-nos muito melhores a reconhecer as pessoas com perturba\u00e7\u00f5es mentais, embora o diagn\u00f3stico nem sempre seja f\u00e1cil, uma vez que muitos doentes apresentam sintomas f\u00edsicos, como problemas digestivos. Para melhorar a dete\u00e7\u00e3o, os m\u00e9dicos precisam de tempo para avaliar o doente, falar com ele e para lhe dar respostas que n\u00e3o sejam apenas farmacol\u00f3gicas. Por outras palavras, \u00e9 necess\u00e1rio investir na forma\u00e7\u00e3o e, sobretudo, em dar aos m\u00e9dicos de fam\u00edlia o tempo de que necessitam para fazer bem o seu trabalho. H\u00e1 locais em que j\u00e1 existem psic\u00f3logos nos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios\u2026\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>O sistema de sa\u00fade disp\u00f5e de recursos suficientes para fazer face aos problemas de sa\u00fade mental?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEspanha est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia europeia em termos de investimento na sa\u00fade mental. \u00c9 um dado objetivo. \u00c9 igualmente verdade que a COVID-19 contribuiu radicalmente para a \u201cdesestigmatiza\u00e7\u00e3o\u201d da sa\u00fade mental. Hoje, custa-nos muito menos dizer que temos problemas de sa\u00fade mental e que estamos a procurar ajuda. \u00c9 por isso que cada vez mais pessoas conhecidas e socialmente importantes v\u00eam a p\u00fablico admitir que tiveram problemas de sa\u00fade mental. O facto de pessoas respeitadas socialmente serem capazes de vir a p\u00fablico explicar que estiveram mal e que, gra\u00e7as ao tratamento que fizeram, farmacol\u00f3gico ou psicoterap\u00eautico, est\u00e3o bem agora \u00e9 muito importante para os doentes. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, tanto regional como estatal, est\u00e1 a elaborar planos espec\u00edficos para a sa\u00fade mental. Mas \u00e9 importante sublinhar que a sa\u00fade mental n\u00e3o depende apenas do sistema de sa\u00fade. Fatores como a estabilidade econ\u00f3mica, um ambiente social adequado e ter um objetivo de vida tamb\u00e9m t\u00eam influ\u00eancia, e isso n\u00e3o pode ser garantido por m\u00e9dicos ou psic\u00f3logos.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sola<\/span><\/p>\n<p><b>Existe uma coordena\u00e7\u00e3o suficiente entre a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e os departamentos envolvidos nas quest\u00f5es de sa\u00fade mental?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abSe quisermos reduzir o impacto dos problemas de sa\u00fade mental, temos de reduzir as suas causas. Estas est\u00e3o frequentemente relacionadas com fatores econ\u00f3micos e laborais, com o stress e com a falta de redes de apoio social. Penso que os decisores pol\u00edticos est\u00e3o conscientes de que a sa\u00fade mental deve ser inclu\u00edda em todas as pol\u00edticas e que os programas de interven\u00e7\u00e3o devem ir para al\u00e9m dos departamentos de sa\u00fade.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>O futuro da sa\u00fade mental<\/b><\/h3>\n<p><b>Estaremos a ver a luz ao fundo do t\u00fanel?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abRecuso-me a dizer o contr\u00e1rio. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil do que noutras doen\u00e7as: n\u00e3o dispomos de biomarcadores que nos ajudem a diagnosticar as perturba\u00e7\u00f5es e existe um estigma social significativo. Mas estou convencido de que estamos no bom caminho. A combina\u00e7\u00e3o do trabalho dos m\u00e9dicos de fam\u00edlia, dos psic\u00f3logos e dos psiquiatras permitir-nos-\u00e1 inverter esta situa\u00e7\u00e3o.\u00bb \u2013 V\u00edctor P\u00e9rez Sol\u00e0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abTal como j\u00e1 resolvemos outros problemas anteriormente, estamos confiantes de que tamb\u00e9m vamos resolver este. Estamos a tentar encontrar uma forma de o resolver ou atenuar, uma forma de as pessoas conseguirem desenvolver o seu projeto de vida.\u00bb \u2013 Enrique Baca Garc\u00eda<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab\u00c9 importante colocar as coisas em perspetiva: o diagn\u00f3stico e o tratamento do cancro mudaram radicalmente nos \u00faltimos 60 anos gra\u00e7as ao investimento na investiga\u00e7\u00e3o. Penso que est\u00e1 a come\u00e7ar a acontecer o mesmo na sa\u00fade mental: precisamos desse investimento para mudar a hist\u00f3ria natural destas perturba\u00e7\u00f5es.\u00bb \u2013 Josep Maria Haro Abad<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/COujaK6NUIw?si=jti5t30e0SLIszCQ\" width=\"400\" height=\"225\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\">\ufeff<\/iframe><\/p>\n<p>45% das pessoas t\u00eam um problema de sa\u00fade mental ao longo da vida. Atualmente, as perturba\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o a principal causa de incapacidade no mundo em todos as faixas et\u00e1rias, ultrapassando, em termos de impacto, qualquer outro problema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ansiedade, depress\u00e3o, depend\u00eancias, doen\u00e7a bipolar e esquizofrenia s\u00e3o apenas alguns exemplos de perturba\u00e7\u00f5es que, apesar da sua elevada preval\u00eancia, continuam rodeadas de estigma e barreiras ao diagn\u00f3stico e ao tratamento.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, o debate em torno da sa\u00fade mental tem-se movido entre dois polos: o dos que colocam os aspetos biol\u00f3gicos em primeiro lugar e o dos que d\u00e3o mais import\u00e2ncia aos determinantes sociais. No entanto, estudos mais recentes demonstram que esta dicotomia \u00e9 artificial e impede o avan\u00e7o na compreens\u00e3o real destas perturba\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[597,598],"tags":[],"class_list":["post-11595","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divulgacao-cientifica","category-investigacao"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Sa\u00fade mental: a grande quest\u00e3o pendente - Blog CaixaCi\u00e8ncia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/saude-mental-a-grande-questao-pendente\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sa\u00fade mental: a grande quest\u00e3o pendente - Blog CaixaCi\u00e8ncia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\ufeff 45% das pessoas t\u00eam um problema de sa\u00fade mental ao longo da vida. 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