{"id":10376,"date":"2025-05-20T12:52:49","date_gmt":"2025-05-20T11:52:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/?p=10376"},"modified":"2025-05-20T12:54:03","modified_gmt":"2025-05-20T11:54:03","slug":"desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/","title":{"rendered":"Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lYsSegpIIj8?si=MRXWWEAiX2PJGIit\" width=\"400\" height=\"225\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos \u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes marcos da medicina moderna. N\u00e3o s\u00f3 salvou centenas de milhares de vidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como<\/span><b> transformou radicalmente o dia a dia de muitas pessoas, libertando-as de tratamentos longos, invasivos e esgotantes <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 como a di\u00e1lise ou a necessidade de estarem permanentemente ligadas a uma m\u00e1quina de oxig\u00e9nio em casos de doen\u00e7as pulmonares avan\u00e7adas \u2013, permitindo-lhes recuperar a sua autonomia e regressar a uma vida ativa e com maior qualidade.<\/span><\/p>\n<p><b>172 000 transplantes realizados em 2023 a n\u00edvel mundial<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Apesar deste n\u00famero admir\u00e1vel, ainda estamos muito longe de satisfazer a procura global: 2 milh\u00f5es de transplantes por ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A transplanta\u00e7\u00e3o tem uma longa e emocionante hist\u00f3ria. O primeiro caso de sucesso no mundo foi realizado em 1954 nos Estados Unidos: um transplante de rim entre irm\u00e3os g\u00e9meos. Em Espanha, o primeiro caso foi realizado em 1965 e, desde ent\u00e3o, <\/span><b>o pa\u00eds consolidou-se como refer\u00eancia internacional nesta \u00e1rea<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00f3 em 2024, foram realizados 6464 transplantes, que foram poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 generosidade de 2562 dadores falecidos e 404 dadores vivos. Estes n\u00fameros colocam Espanha na vanguarda, tanto em termos de doa\u00e7\u00f5es como de n\u00famero de interven\u00e7\u00f5es. Mas, <\/span><b>quais s\u00e3o os desafios que ainda temos de enfrentar para continuar a progredir<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, tanto a n\u00edvel nacional como a n\u00edvel mundial? <\/span><b>Como podemos alargar o acesso \u00e0 transplanta\u00e7\u00e3o para dar resposta \u00e0s necessidades de todos os doentes?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Do ponto de vista m\u00e9dico, um dos maiores desafios continua a ser evitar <\/span><b>a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">pelo sistema imunit\u00e1rio do recetor<\/span><b>. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A esta dificuldade junta-se um obst\u00e1culo igualmente cr\u00edtico: <\/span><b>a escassez de \u00f3rg\u00e3os<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00f3 em 2023, mais de 100 000 pessoas na Europa estavam em lista de espera para receber um transplante, mas menos de metade conseguiu aceder a um. Esta situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 agravar-se nos pr\u00f3ximos anos devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e ao aumento das doen\u00e7as cr\u00f3nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, muitas das quais acabam por requerer um transplante. \u00c9 o caso, por exemplo, da doen\u00e7a renal cr\u00f3nica \u2013 para a qual o transplante renal \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o de tratamento \u2013 e que, segundo as estimativas, poder\u00e1 tornar-se em 2040 a quinta causa de morte a n\u00edvel mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perante estes desafios, a ci\u00eancia avan\u00e7a em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Desde o desenvolvimento de <\/span><b>terapias imunossupressoras<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> mais eficazes e com menos efeitos adversos, at\u00e9 \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o em <\/span><b>xenotransplantes<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 que utilizam \u00f3rg\u00e3os de animais geneticamente modificados \u2013 ou em <\/span><b>\u00f3rg\u00e3os bioartificiais<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> fabricados em laborat\u00f3rio.\u00a0 Est\u00e3o inclusivamente a ser desenvolvidos esfor\u00e7os para melhorar a log\u00edstica e aumentar a disponibilidade de \u00f3rg\u00e3os, otimizando todo o processo de doa\u00e7\u00e3o e transplanta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No passado dia 8 de maio, <\/span><b>o Debate CaixaResearch <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">aprofundou todos estes desafios e oportunidades, bem como os \u00faltimos avan\u00e7os no dom\u00ednio da transplanta\u00e7\u00e3o, com a participa\u00e7\u00e3o de quatro investigadores de renome:\u00a0<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 Diretora-Geral da Organizaci\u00f3n Nacional de Trasplantes (<\/span><a href=\"https:\/\/www.ont.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">ONT<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), um organismo dependente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que coordena e organiza as atividades de doa\u00e7\u00e3o e transplante de \u00f3rg\u00e3os, tecidos e c\u00e9lulas.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Oriol Bestard Matamoros<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 diretor do Servi\u00e7o de Nefrologia e Transplanta\u00e7\u00e3o Renal do Hospital Universitario Vall d\u2019Hebron (<\/span><a href=\"https:\/\/www.vallhebron.com\/es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">HUVH<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), l\u00edder do grupo de investiga\u00e7\u00e3o em Nefrologia e Transplanta\u00e7\u00e3o Renal do Vall d\u2019Hebron Instituto de Investigaci\u00f3n (<\/span><a href=\"https:\/\/vhir.vallhebron.com\/es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">VHIR<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) e professor associado de Medicina na Universidad Aut\u00f3noma de Barcelona.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Xabier Aranguren L\u00f3pez<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 investigador principal do grupo de Gera\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">in vivo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> atrav\u00e9s de c\u00e9lulas estaminais do Centro de Investigaci\u00f3n M\u00e9dica Aplicada (<\/span><a href=\"https:\/\/cima.cun.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">CIMA<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), da Universidad de Navarra. Entre outras coisas, estuda a gera\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os humanos em porcos atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas gen\u00e9ticas.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><b>Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 cirurgi\u00e3 do Servi\u00e7o de Cirurgia Hepatobiliopancre\u00e1tica e Transplantes do Hospital Universitario Vall d&#8217;Hebron (<\/span><a href=\"https:\/\/www.vallhebron.com\/es\"><span style=\"font-weight: 400;\">HUVH<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) e investigadora do Vall d\u2019Hebron Instituto de Investigaci\u00f3n (<\/span><a href=\"https:\/\/vhir.vallhebron.com\/es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">VHIR<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">). Trabalha, entre outros projetos, no projeto Livercolor, que utiliza intelig\u00eancia artificial para melhorar a sele\u00e7\u00e3o de f\u00edgados transplant\u00e1veis.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O encontro foi moderado por <\/span><b>N\u00faria Jar<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, jornalista especializada em ci\u00eancia, sa\u00fade e informa\u00e7\u00e3o internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estas s\u00e3o as principais conclus\u00f5es a que se chegou durante o debate. Quer juntar-se a n\u00f3s para as conhecer?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><em><b>O sistema de doa\u00e7\u00e3o e transplanta\u00e7\u00e3o em Espanha<\/b><\/em><\/h3>\n<p><b>Por que raz\u00e3o o chamado <\/b><b><i>modelo<\/i><\/b> <b><i>espanhol<\/i><\/b><b> de doa\u00e7\u00e3o e transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os \u00e9 bem-sucedido?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abSomos um pa\u00eds muito solid\u00e1rio, uma sociedade disposta a ajudar, contudo, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente para sermos l\u00edderes na doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Um dos segredos do sucesso \u00e9 <\/span><b>o Sistema Nacional de Sa\u00fade p\u00fablico e de car\u00e1ter universal<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Al\u00e9m disso, temos de falar do fator organizacional, do nosso modelo de doa\u00e7\u00e3o e transplante, que permite que <\/span><b>uma pessoa que est\u00e1 disposta a doar ap\u00f3s a morte se torne um dador real<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o poucas as pessoas que morrem e podem ser dadoras. Para uma pessoa poder ser dadora ap\u00f3s a morte, \u00e9 necess\u00e1rio que tenha morrido em condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas, na unidade de cuidados intensivos, normalmente ligada a ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e sem contraindica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas para a doa\u00e7\u00e3o. Apenas entre 1 e 2% das pessoas que morrem num hospital o fazem nessas circunst\u00e2ncias\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abO nosso sistema foi concebido para identificar sistematicamente as pessoas que morrem nestas circunst\u00e2ncias \u00fanicas, para adotar uma abordagem muito profissional em rela\u00e7\u00e3o a uma fam\u00edlia enlutada e para garantir que as diferentes fases do processo de doa\u00e7\u00e3o decorrem da melhor forma poss\u00edvel. O nosso modelo gira em torno do coordenador de transplanta\u00e7\u00e3o dos hospitais e da coordena\u00e7\u00e3o, a n\u00edvel supra-hospitalar, da Organizaci\u00f3n Nacional de Trasplantes e das Coordinaciones Auton\u00f3micas. <\/span><b>\u00c9 um modelo organizacional que nos permite transformar a solidariedade dos cidad\u00e3os em doa\u00e7\u00e3o e transplante reais<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><b>A partir de que idade e at\u00e9 que idade \u00e9 poss\u00edvel doar \u00f3rg\u00e3os?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEm princ\u00edpio, n\u00e3o h\u00e1 limite de idade para a doa\u00e7\u00e3o, uma vez que <\/span><b>\u00e9 feita uma avalia\u00e7\u00e3o individualizada das caracter\u00edsticas de cada dador<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00c9 verdade que, com a idade, ocorrem altera\u00e7\u00f5es relacionadas com o envelhecimento dos \u00f3rg\u00e3os, pelo que, numa idade mais avan\u00e7ada, se torna cada vez mais dif\u00edcil ser dador de cora\u00e7\u00e3o ou de p\u00e2ncreas, por exemplo. Ainda assim, as equipas de transplanta\u00e7\u00e3o aprenderam a transplantar com sucesso \u00f3rg\u00e3os altamente complexos provenientes de pessoas de idade muito avan\u00e7ada\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10284\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abExistem muito poucas contraindica\u00e7\u00f5es absolutas para a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Ocorrem apenas em casos de dadores com tumores metast\u00e1ticos, tumores extremamente agressivos ou determinadas infe\u00e7\u00f5es\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><b>Quem tem prioridade no momento de rece\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abExiste uma grande disparidade entre os doentes que necessitam de um transplante e os \u00f3rg\u00e3os dispon\u00edveis, raz\u00e3o pela qual todos os sistemas de transplante possuem <\/span><b>sistemas de atribui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os que t\u00eam em conta a componente m\u00e9dica e garantem um acesso equitativo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEm Espanha existe um modelo misto de atribui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, nacional e regional\/local. Por um lado, a n\u00edvel nacional, existe uma atribui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os para doentes em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, com um risco muito elevado de morte num curto espa\u00e7o de tempo. No momento em que surge um dador compat\u00edvel, esse \u00f3rg\u00e3o vai para esse doente. Tamb\u00e9m t\u00eam prioridade os doentes dif\u00edceis de transplantar, doentes que normalmente rejeitam a maioria dos \u00f3rg\u00e3os dispon\u00edveis. No momento em que encontramos o dador ideal para esse recetor, ser-lhe-\u00e1 dada prioridade sobre todos os outros. Por \u00faltimo, a n\u00edvel nacional, tamb\u00e9m \u00e9 dada prioridade \u00e0s crian\u00e7as, porque s\u00e3o muito dif\u00edceis de transplantar, e aos doentes que precisam de transplantes combinados\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAbaixo destes doentes com prioridade, \u00e9 efetuada uma atribui\u00e7\u00e3o regional e local com o objetivo de diminuir os tempos de isquemia (o per\u00edodo em que o fornecimento de sangue, oxig\u00e9nio e nutrientes a um \u00f3rg\u00e3o ou tecido \u00e9 interrompido) e diminuir os custos de transporte de \u00f3rg\u00e3os. Esta atribui\u00e7\u00e3o regional e local tamb\u00e9m segue crit\u00e9rios cl\u00ednicos, ou seja, <\/span><b>\u00e9 dada prioridade ao doente que se encontra em situa\u00e7\u00e3o mais prec\u00e1ria e com maior risco de morte<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><em><b>Os desafios m\u00e9dicos da doa\u00e7\u00e3o<\/b><\/em><\/h3>\n<p><b>Qual a dificuldade em selecionar os \u00f3rg\u00e3os realmente ideais para transplante?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA forma habitual de avaliar um \u00f3rg\u00e3o \u00e9<\/span><b> atrav\u00e9s das suas caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Por exemplo, sabemos que os f\u00edgados que acumulam mais gordura tendem a ser mais amarelados e com bordas mais arredondadas, e sabemos que os f\u00edgados com mais de 30% de gordura acumulada podem falhar. A forma objetiva de avaliar esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s de uma bi\u00f3psia hep\u00e1tica, ou seja, retirar uma pequena amostra do f\u00edgado e analis\u00e1-la ao microsc\u00f3pio. \u2013 Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abMuitas vezes, este procedimento n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel, precisamos de rapidez e temos de trabalhar em contrarrel\u00f3gio. Neste caso, a \u00fanica forma de avaliar esses \u00f3rg\u00e3os \u00e9 atrav\u00e9s da opini\u00e3o da pessoa (do cirurgi\u00e3o) que avalia o f\u00edgado, o que \u00e0s vezes pode levar-nos a descartar \u00f3rg\u00e3os que poderiam ser v\u00e1lidos para doa\u00e7\u00e3o. Por conseguinte, temos vindo a desenvolver, desde 2018, <\/span><b>o projeto Livercolor com o objetivo de treinar um algoritmo de intelig\u00eancia artificial (IA) que, com base numa imagem, nos pode dar uma resposta objetiva numa quest\u00e3o de segundos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> sobre se um f\u00edgado em avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 adequado para transplante\u00bb. \u2013 Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_10288\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10288\" class=\"wp-image-10288\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Concepcion-Gomez-Gavara-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Concepcion-Gomez-Gavara-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Concepcion-Gomez-Gavara-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Concepcion-Gomez-Gavara-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Concepcion-Gomez-Gavara-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Concepcion-Gomez-Gavara-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-10288\" class=\"wp-caption-text\"><em>Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/em><\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abGra\u00e7as ao apoio do concurso CaixaImpulse Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o \u201dla Caixa\u201d, este projeto \u00e9 agora uma realidade. Cri\u00e1mos uma aplica\u00e7\u00e3o para tirar fotografias de casos dos hospitais que colaboram connosco. Os resultados obtidos s\u00e3o muito mais precisos do que os obtidos atrav\u00e9s do m\u00e9todo de avalia\u00e7\u00e3o padr\u00e3o. Ainda assim, a decis\u00e3o final caber\u00e1 sempre ao profissional, ou seja, estas ferramentas de intelig\u00eancia artificial s\u00e3o um apoio\u00bb. \u2013 Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/span><\/p>\n<p><b>Al\u00e9m do f\u00edgado, este m\u00e9todo de IA pode ser utilizado noutros \u00f3rg\u00e3os?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abPrecisamos de treinar o algoritmo com muitos dados para que os seus resultados tenham uma precis\u00e3o muito elevada. Acreditamos que at\u00e9 ao final de 2026 disporemos de 1000 casos, o que provavelmente ser\u00e1 suficiente para come\u00e7ar a utiliz\u00e1-lo a n\u00edvel cl\u00ednico. Come\u00e7\u00e1mos com o f\u00edgado, mas tamb\u00e9m come\u00e7\u00e1mos a desenvolv\u00ea-lo para os rins. Trata-se de treinar algoritmos para analisar imagens macrosc\u00f3picas, pelo que, em princ\u00edpio, pode ser alargado a qualquer \u00f3rg\u00e3o\u00bb. \u2013 Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/span><\/p>\n<p><b>Que estrat\u00e9gias s\u00e3o seguidas para evitar a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAtualmente, somos capazes de distinguir com precis\u00e3o os doentes suscet\u00edveis de desenvolver rejei\u00e7\u00e3o se tiverem uma doen\u00e7a preexistente que possa causar rejei\u00e7\u00e3o e somos capazes de gerar uma resposta imunit\u00e1ria precisa para que a rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorra. No entanto, existe outro grande grupo de doentes, que n\u00e3o t\u00eam doen\u00e7as preexistentes que possam indicar rejei\u00e7\u00e3o, que identific\u00e1mos relativamente mal\u00bb. \u2013 Oriol Bestard Matamoros<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_10296\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10296\" class=\"wp-image-10296\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Oriol-Bestard-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Oriol-Bestard-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Oriol-Bestard-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Oriol-Bestard-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Oriol-Bestard-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Oriol-Bestard-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-10296\" class=\"wp-caption-text\"><em>Oriol Bestard Matamoros<\/em><\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abUma das principais linhas de investiga\u00e7\u00e3o em transplanta\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mundial consiste em identificar melhor o risco imunol\u00f3gico de cada doente, a fim de conceber tratamentos que suprimam a resposta do seu sistema imunit\u00e1rio ao \u00f3rg\u00e3o. Desde as diferen\u00e7as gen\u00e9ticas entre o dador e o recetor e a ativa\u00e7\u00e3o dos linf\u00f3citos, que s\u00e3o as c\u00e9lulas que podem causar a rejei\u00e7\u00e3o, tudo est\u00e1 a ser estudado. H\u00e1 toda uma linha de investiga\u00e7\u00e3o muito ativa, mas que ainda n\u00e3o conseguimos integrar na pr\u00e1tica cl\u00ednica\u00bb. \u2013 Oriol Bestard Matamoros<\/span><\/p>\n<p><b>Quais s\u00e3o os riscos associados \u00e0 medica\u00e7\u00e3o imunossupressora?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abAtualmente, a grande maioria dos doentes recebe exatamente a mesma quantidade de tratamento imunossupressor. Temos de aprender a identificar aqueles que podem viver apenas com um medicamento em doses baixas e aqueles que necessitam de diferentes combina\u00e7\u00f5es de medicamentos. O tratamento \u00e9 o mesmo para todos e os transplantologistas lidam com as complica\u00e7\u00f5es que possam surgir. Por exemplo, a rejei\u00e7\u00e3o num doente transplantado pela primeira vez \u00e9 de cerca de 5 ou 6%, mas<\/span><b> o tratamento imunossupressor que recebe produz outros efeitos secund\u00e1rios a n\u00edvel do metabolismo ou do sistema cardiovascular que t\u00eam de ser geridos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00bb. \u2013 Oriol Bestard Matamoros<\/span><\/p>\n<p><b>Em que solu\u00e7\u00f5es est\u00e3o a trabalhar nesse sentido?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEstamos a tentar encontrar uma fam\u00edlia de medicamentos ou uma mol\u00e9cula que atue diretamente no sistema imunit\u00e1rio e evite os efeitos secund\u00e1rios. Isto pode ter de ser feito \u00e0 custa de uma pequena mudan\u00e7a do paradigma com que os m\u00e9dicos trabalham e de aceitar uma taxa ligeiramente mais elevada de rejei\u00e7\u00e3o controlada. O nosso projeto, que conta com o apoio do concurso CaixaImpulse Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o \u201dla Caixa\u201d, tira partido da biologia molecular e do desenvolvimento tecnol\u00f3gico a n\u00edvel proteico para criar uma mol\u00e9cula complexa que <\/span><b>iniba especificamente o sistema imunit\u00e1rio<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Procuramos abrandar a ativa\u00e7\u00e3o dos linf\u00f3citos T, permitindo simultaneamente que as c\u00e9lulas reguladoras mantenham a sua atividade. Por outras palavras, procuramos cuidar da resposta protetora do doente enquanto controlamos a resposta imunit\u00e1ria que leva \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o\u00bb. \u2013 Oriol Bestard Matamoros<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><em><b>O desafio da escassez de \u00f3rg\u00e3os<\/b><\/em><\/h3>\n<p><b>A OMS afirma que s\u00e3o necess\u00e1rios dois milh\u00f5es de transplantes para satisfazer a procura global. Estamos longe destes n\u00fameros. Que solu\u00e7\u00f5es est\u00e3o a ser estudadas?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 tr\u00eas grandes estrat\u00e9gias. A primeira \u00e9 a <\/span><b>xenotransplanta\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, o transplante de \u00f3rg\u00e3os de animais para humanos. Neste caso, trata-se essencialmente do transplante de \u00f3rg\u00e3os de porco que foram geneticamente modificados para evitar a rejei\u00e7\u00e3o em humanos. A segunda \u00e9 a dos <\/span><b>organoides impressos em 3D<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, uma tecnologia que envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de c\u00e9lulas e a utiliza\u00e7\u00e3o de impressoras 3D e biomateriais para gerar estruturas tridimensionais que se assemelham a \u00f3rg\u00e3os. Atualmente, ainda s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gerar \u00f3rg\u00e3os de tamanho muito pequeno, mas a ideia, no futuro, \u00e9 conseguir produzir \u00f3rg\u00e3os com o tamanho certo e que possam ser utilizados para transplanta\u00e7\u00e3o. E a terceira estrat\u00e9gia \u00e9<\/span><b> a gera\u00e7\u00e3o direta de \u00f3rg\u00e3os humanos dentro de animais<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, utilizando c\u00e9lulas estaminais\u00bb. \u2013 Xabier Aranguren L\u00f3pez<\/span><\/p>\n<p><b>Como funciona a gera\u00e7\u00e3o direta de \u00f3rg\u00e3os humanos dentro de animais?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA nossa linha de investiga\u00e7\u00e3o, apoiada pelo concurso CaixaResearch de Investiga\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o \u201dla Caixa\u201d, visa gerar \u00f3rg\u00e3os humanos dentro de animais atrav\u00e9s de uma t\u00e9cnica chamada transfer\u00eancia de blastocisto. Consiste em modificar geneticamente os embri\u00f5es de um animal \u2013 no nosso caso, um porco \u2013 para que n\u00e3o possam desenvolver o \u00f3rg\u00e3o em que estamos interessados. Numa fase muito precoce do desenvolvimento embrion\u00e1rio, as c\u00e9lulas estaminais humanas s\u00e3o microinjetadas no embri\u00e3o. A partir da\u00ed, o animal come\u00e7a a desenvolver-se, mas como n\u00e3o consegue formar o \u00f3rg\u00e3o por si pr\u00f3prio, s\u00e3o as c\u00e9lulas humanas que o geram. Desta forma, <\/span><b>poder\u00edamos gerar \u00f3rg\u00e3os humanos dentro de animais que poderiam ser utilizados para transplanta\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00bb. \u2013 Xabier Aranguren L\u00f3pez<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_10268\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10268\" class=\"wp-image-10268\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Xabier-Aranguren-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Xabier-Aranguren-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Xabier-Aranguren-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Xabier-Aranguren-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Xabier-Aranguren-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Xabier-Aranguren-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-10268\" class=\"wp-caption-text\"><em>Xabier Aranguren<\/em><\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abTrata-se de uma tecnologia muito complexa. H\u00e1 muitos obst\u00e1culos a ultrapassar. Uma das grandes limita\u00e7\u00f5es \u00e9 o facto de as c\u00e9lulas humanas terem uma capacidade muito baixa de integra\u00e7\u00e3o em embri\u00f5es animais. Quando conseguirmos resolver este problema, poderemos come\u00e7ar a falar em gerar \u00f3rg\u00e3os humanos em animais como os porcos. \u00c9 dif\u00edcil calcular o tempo, mas registaram-se progressos muito significativos nos \u00faltimos anos e <\/span><b>\u00e9 poss\u00edvel que, nos pr\u00f3ximos 5 ou 10 anos, comecem a ser gerados <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00f3rg\u00e3os humanos em animais\u00bb. \u2013 Xabier Aranguren L\u00f3pez<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><em><b>Os desafios do futuro<\/b><\/em><\/h3>\n<p><b>O que falta fazer para melhorar ainda mais o trabalho que est\u00e1 a ser realizado em mat\u00e9ria de doa\u00e7\u00e3o e transplanta\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abSe falarmos da pr\u00e1tica de cuidados de sa\u00fade, o desafio humano est\u00e1 a tornar-se cada vez mais importante. H\u00e1 um crescimento exponencial da transplanta\u00e7\u00e3o, mas as <\/span><b>equipas s\u00e3o quase as mesmas de h\u00e1 10 anos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Al\u00e9m disso, temos o desafio muito importante da mudan\u00e7a geracional. A transplanta\u00e7\u00e3o deixou de ser uma atividade clinicamente muito atrativa para os profissionais de sa\u00fade para se tornar uma terapia t\u00e3o normal que parece ter perdido a atratividade profissional\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abDo ponto de vista da investiga\u00e7\u00e3o, existem v\u00e1rios desafios. Um deles <\/span><b>\u00e9 mudar o perfil do dador,<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> uma vez que Espanha \u00e9 um pa\u00eds com uma grande longevidade onde a mortalidade nos jovens por causas evit\u00e1veis \u00e9 baixa. Assim, <\/span><b>a maioria dos dadores s\u00e3o mais velhos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e temos de garantir que estes \u00f3rg\u00e3os funcionam corretamente nos recetores. Outro desafio \u00e9 <\/span><b>melhorar a<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> chamada <\/span><b>doa\u00e7\u00e3o em assistolia<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Por outras palavras, preservar e validar os \u00f3rg\u00e3os doados por pessoas que morrem de paragem cardiorrespirat\u00f3ria, \u00f3rg\u00e3os que sofrem de falta de fluxo sangu\u00edneo e de oxig\u00e9nio\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abOutro ponto a melhorar seria <\/span><b>promover mais a doa\u00e7\u00e3o em vida<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Temos um n\u00famero elevado e crescente de dadores, mas h\u00e1 uma falta de sensibiliza\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o em vida, por exemplo de um rim, que apresenta a melhor taxa de sobreviv\u00eancia. Al\u00e9m disso, seria importante melhorar a taxa de longevidade dos \u00f3rg\u00e3os para que os doentes n\u00e3o necessitem de outro transplante a longo prazo. Para tal, como j\u00e1 referimos, precisamos de <\/span><b>compreender melhor como funciona a imunossupress\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e por que raz\u00e3o alguns doentes parecem precisar de muito menos tratamento do que outros\u00bb. \u2013 Oriol Bestard Matamoros<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abA inclus\u00e3o de novas tecnologias pode ajudar-nos a tornar a transplanta\u00e7\u00e3o novamente atrativa a n\u00edvel profissional. Projetos como o Livercolor mostram o caminho a seguir. Os m\u00e9dicos querem confiar nas novas tecnologias para tomar decis\u00f5es mais seguras e mais exatas. Penso que isto ser\u00e1 fundamental para assegurar a mudan\u00e7a geracional\u00bb. \u2013 Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abPara al\u00e9m de aumentar o n\u00famero de doa\u00e7\u00f5es em vida, \u00e9 tamb\u00e9m importante <\/span><b>melhorar a preserva\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> para ajudar a reduzir as listas\u00bb. \u2013 Xabier Aranguren L\u00f3pez<\/span><\/p>\n<p><b>De que forma melhorou a doa\u00e7\u00e3o em assistolia?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abOs primeiros transplantes realizados com \u00f3rg\u00e3os de pessoas mortas, nos anos 60, foram feitos com \u00f3rg\u00e3os de pessoas que tinham morrido de paragem cardiorrespirat\u00f3ria. Os resultados foram desastrosos e a doa\u00e7\u00e3o em assistolia passou a fazer parte do passado. Foi nessa altura que a <\/span><b>doa\u00e7\u00e3o em morte cerebral<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 uma condi\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m artificialmente a fun\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ap\u00f3s a morte cerebral do doente \u2013 se estabeleceu como a principal via para a colheita de \u00f3rg\u00e3os. No entanto, a partir da d\u00e9cada de 1990, o interesse <\/span><b>pela doa\u00e7\u00e3o em assistolia<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> foi reavivado, uma vez que se considerou que tinha um grande potencial para <\/span><b>aumentar a disponibilidade de \u00f3rg\u00e3os e reduzir as listas de espera<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. At\u00e9 \u00e0 data, apenas 26 pa\u00edses do mundo disp\u00f5em de programas de doa\u00e7\u00e3o em assistolia.<\/span><b> Espanha \u00e9 o pa\u00eds com a taxa mais elevada de dadores deste tipo no mundo e o \u00fanico que conseguiu transplantar todos os tipos de \u00f3rg\u00e3os destes dadores<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. No ano passado, de facto, pela primeira vez, houve mais dadores em assistolia do que dadores em morte cerebral\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abSe em Espanha conseguimos transplantar todos os tipos de \u00f3rg\u00e3os destes dadores, foi <\/span><b>gra\u00e7as a estrat\u00e9gias de preserva\u00e7\u00e3o muito espec\u00edficas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, nomeadamente uma que se designa por perfus\u00e3o regional normot\u00e9rmica, que foi descoberta neste pa\u00eds na d\u00e9cada de 1990. \u00c9 por isso que \u00e9 importante falar sobre este tipo de doa\u00e7\u00e3o e sobre todas as possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o que traz no dom\u00ednio da preserva\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><em><b>Os grandes debates em torno da transplanta\u00e7\u00e3o<\/b><\/em><\/h3>\n<p><b>Nos \u00faltimos anos, assistimos, por exemplo, ao nascimento do primeiro beb\u00e9 gestado num \u00fatero transplantado. Quais s\u00e3o os dilemas colocados por estes avan\u00e7os?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abEstamos habituados a pensar que o transplante \u00e9 v\u00e1lido para \u00f3rg\u00e3os vitais para a sobreviv\u00eancia. Estes outros tipos de transplantes criam <\/span><b>dilemas econ\u00f3micos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, centrados na quest\u00e3o de saber se o sistema p\u00fablico deve ou n\u00e3o custe\u00e1-los, e <\/span><b>dilemas \u00e9ticos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> como, por exemplo, a necessidade que uma pessoa tem de ter um filho. Todos t\u00eam pr\u00f3s e contras. Ainda assim, penso que n\u00e3o \u00e9 justo comparar um tipo de transplante com outro, n\u00e3o \u00e9 justo coloc\u00e1-los nos pratos da mesma balan\u00e7a. \u2013 Oriol Bestard Matamoros<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab<\/span><b>Quando as inova\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito disruptivas, passa-se sempre por um per\u00edodo de rejei\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Quando Cristiaan Barnard realizou o primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o e os doentes morreram em poucos dias, a \u00e9tica do seu trabalho foi posta em causa. Atualmente, somos cautelosos em rela\u00e7\u00e3o ao transplante de \u00fatero, mas talvez daqui a dez anos o tenhamos normalizado. Ainda assim, devemos pensar que <\/span><b>a esterilidade \u00e9 reconhecida como uma doen\u00e7a<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, pelo que o que tem de ser discutido \u00e9 a proporcionalidade das medidas que t\u00eam de ser tomadas para a tratar\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abOutra quest\u00e3o \u00e9 o que implica atualmente o transplante de \u00fatero. \u00c9 realizado com uma dadora viva que tem de ser submetida a uma histerectomia muito agressiva. Por outro lado, a recetora \u00e9 submetida a uma terapia imunossupressora, o que significa que, se de facto ocorrer a gesta\u00e7\u00e3o, o feto desenvolver-se-\u00e1 num contexto de imunossupress\u00e3o. Por \u00faltimo, a recetora deve ser submetida a uma nova remo\u00e7\u00e3o do \u00fatero, uma vez cumprida a sua fun\u00e7\u00e3o. Por conseguinte, a quest\u00e3o que se coloca, a meu ver, <\/span><b>\u00e9 saber se isto \u00e9 proporcional ao que estamos a tentar resolver<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Penso que muitas destas quest\u00f5es ser\u00e3o compreendidas com o tempo e, atualmente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil um posicionamento contra ou a favor\u00bb. \u2013 Beatriz Dom\u00ednguez-Gil Gonz\u00e1lez<\/span><\/p>\n<p><b>Que dilemas levanta o facto de criar \u00f3rg\u00e3os humanos dentro de outros animais?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00abTudo o que \u00e9 novo na medicina gera alguma rejei\u00e7\u00e3o no in\u00edcio. No caso da gera\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os humanos em porcos com c\u00e9lulas estaminais, estamos a falar de gerar organismos que s\u00e3o de um porco, mas tamb\u00e9m parcialmente humanos. Al\u00e9m disso, as c\u00e9lulas estaminais humanas podem sempre ir para outras regi\u00f5es que n\u00e3o nos interessam, como o c\u00e9rebro, e ter um porco com uma parte do c\u00e9rebro humana seria eticamente muito controverso. Como tal, devemos <\/span><b>explicar bem o que estamos a fazer e como o estamos a fazer<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Acredito que, <\/span><b>se, quando os primeiros ensaios cl\u00ednicos forem efetuados, estes \u00f3rg\u00e3os funcionarem e salvarem vidas, ser\u00e3o gradualmente vistos como algo mais normal<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00bb. \u2013 Xabier Aranguren L\u00f3pez<\/span><\/p>\n<p><b>E a utiliza\u00e7\u00e3o da IA na medicina suscita algumas reservas?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00ab\u00c9 mais bem aceite pelos <\/span><b>doentes<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, que <\/span><b>s\u00e3o sempre muito mais abertos do que os profissionais quando se trata de considerar novas tecnologias<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00c9 verdade que, para os profissionais com muita experi\u00eancia, o facto de uma ferramenta lhes dizer algo diferente daquilo que consideram pode gerar conflitos, mas a realidade \u00e9 que os algoritmos v\u00e3o ser treinados com tantos dados que \u00e9 imposs\u00edvel pensar que, na nossa vida profissional, possamos avaliar tantos casos. \u2013 Concepci\u00f3n G\u00f3mez Gavara<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lYsSegpIIj8?si=MRXWWEAiX2PJGIit\" width=\"400\" height=\"225\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\">\ufeff<\/iframe><\/p>\n<p>A transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos \u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes marcos da medicina moderna. N\u00e3o s\u00f3 salvou centenas de milhares de vidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como transformou radicalmente o dia a dia de muitas pessoas, libertando-as de tratamentos longos, invasivos e esgotantes \u2013 como a di\u00e1lise ou a necessidade de estarem permanentemente ligadas a uma m\u00e1quina de oxig\u00e9nio em casos de doen\u00e7as pulmonares avan\u00e7adas \u2013, permitindo-lhes recuperar a sua autonomia e regressar a uma vida ativa e com maior qualidade.<\/p>\n<p>172 000 transplantes realizados em 2023 a n\u00edvel mundial, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Apesar deste n\u00famero admir\u00e1vel, ainda estamos muito longe de satisfazer a procura global: 2 milh\u00f5es de transplantes por ano.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[597,598],"tags":[],"class_list":["post-10376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divulgacao-cientifica","category-investigacao"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente - Blog CaixaCi\u00e8ncia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente - Blog CaixaCi\u00e8ncia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\ufeff A transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos \u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes marcos da medicina moderna. N\u00e3o s\u00f3 salvou centenas de milhares de vidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como transformou radicalmente o dia a dia de muitas pessoas, libertando-as de tratamentos longos, invasivos e esgotantes \u2013 como a di\u00e1lise ou a necessidade de estarem permanentemente ligadas a uma m\u00e1quina de oxig\u00e9nio em casos de doen\u00e7as pulmonares avan\u00e7adas \u2013, permitindo-lhes recuperar a sua autonomia e regressar a uma vida ativa e com maior qualidade. 172 000 transplantes realizados em 2023 a n\u00edvel mundial, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Apesar deste n\u00famero admir\u00e1vel, ainda estamos muito longe de satisfazer a procura global: 2 milh\u00f5es de transplantes por ano.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Blog CaixaCi\u00e8ncia\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-05-20T11:52:49+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-05-20T11:54:03+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-scaled.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2560\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1440\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ubikmedia\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ubikmedia\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/\",\"url\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/\",\"name\":\"Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente - Blog CaixaCi\u00e8ncia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg\",\"datePublished\":\"2025-05-20T11:52:49+00:00\",\"dateModified\":\"2025-05-20T11:54:03+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#\/schema\/person\/2b9d5310c27055b4862191402c387fca\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg\"},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#website\",\"url\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/\",\"name\":\"Blog CaixaCi\u00e8ncia\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#\/schema\/person\/2b9d5310c27055b4862191402c387fca\",\"name\":\"Ubikmedia\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ccc66bc497f8ba496f9d06e5a58a91de?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ccc66bc497f8ba496f9d06e5a58a91de?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Ubikmedia\"},\"url\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/author\/ubikmedia\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente - Blog CaixaCi\u00e8ncia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente - Blog CaixaCi\u00e8ncia","og_description":"\ufeff A transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos \u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes marcos da medicina moderna. N\u00e3o s\u00f3 salvou centenas de milhares de vidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como transformou radicalmente o dia a dia de muitas pessoas, libertando-as de tratamentos longos, invasivos e esgotantes \u2013 como a di\u00e1lise ou a necessidade de estarem permanentemente ligadas a uma m\u00e1quina de oxig\u00e9nio em casos de doen\u00e7as pulmonares avan\u00e7adas \u2013, permitindo-lhes recuperar a sua autonomia e regressar a uma vida ativa e com maior qualidade. 172 000 transplantes realizados em 2023 a n\u00edvel mundial, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Apesar deste n\u00famero admir\u00e1vel, ainda estamos muito longe de satisfazer a procura global: 2 milh\u00f5es de transplantes por ano.","og_url":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/","og_site_name":"Blog CaixaCi\u00e8ncia","article_published_time":"2025-05-20T11:52:49+00:00","article_modified_time":"2025-05-20T11:54:03+00:00","og_image":[{"width":2560,"height":1440,"url":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-scaled.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ubikmedia","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Ubikmedia","Tempo estimado de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/","url":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/","name":"Desafios e avan\u00e7os na transplanta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os: uma vida mais longa e melhor para o doente - Blog CaixaCi\u00e8ncia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg","datePublished":"2025-05-20T11:52:49+00:00","dateModified":"2025-05-20T11:54:03+00:00","author":{"@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#\/schema\/person\/2b9d5310c27055b4862191402c387fca"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/desafios-e-avancos-na-transplantacao-de-orgaos-uma-vida-mais-longa-e-melhor-para-o-doente\/#primaryimage","url":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg","contentUrl":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ImagenesAdaptadas-Beatriz-Dominguez-Gil-300x169.jpg"},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#website","url":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/","name":"Blog CaixaCi\u00e8ncia","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#\/schema\/person\/2b9d5310c27055b4862191402c387fca","name":"Ubikmedia","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ccc66bc497f8ba496f9d06e5a58a91de?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/ccc66bc497f8ba496f9d06e5a58a91de?s=96&d=mm&r=g","caption":"Ubikmedia"},"url":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/author\/ubikmedia\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10376"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10376\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10380,"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10376\/revisions\/10380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}