{"id":10019,"date":"2025-03-18T12:18:22","date_gmt":"2025-03-18T11:18:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/?p=10019"},"modified":"2025-03-18T12:18:22","modified_gmt":"2025-03-18T11:18:22","slug":"estamos-mais-perto-de-curar-a-obesidade-perguntamos-ao-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/estamos-mais-perto-de-curar-a-obesidade-perguntamos-ao-especialista\/","title":{"rendered":"Estamos mais perto de curar a obesidade? Pergunt\u00e1mos ao especialista"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10021\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p><b>Uma em cada oito pessoas no mundo vive com <\/b><a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/obesity-and-overweight\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>obesidade<\/b><\/a><b>.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Desde 1990, a taxa de obesidade nos adultos duplicou e nos adolescentes quadruplicou. Apesar da sua elevada preval\u00eancia e estigma, \u00e9 uma patologia que estamos a compreender cada vez melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, no \u00e2mbito do Dia Mundial da Obesidade, que se celebrou a 4 de mar\u00e7o, fal\u00e1mos com o especialista Miguel L\u00f3pez, investigador da rede CaixaResearch no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Medicina Molecular e Doen\u00e7as Cr\u00f3nicas (CiMUS) da Universidade de Santiago de Compostela. <\/span><b>Discutimos com ele os \u00faltimos desenvolvimentos em mat\u00e9ria de obesidade.\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em janeiro deste ano, uma comiss\u00e3o global apoiada por mais de 75 organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas de todo o mundo publicou <\/span><b>uma nova defini\u00e7\u00e3o de obesidade<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> na revista <\/span><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/commissions\/clinical-obesity\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Lancet<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: \u00abCondi\u00e7\u00e3o caracterizada por excesso de gordura, com ou sem altera\u00e7\u00f5es na distribui\u00e7\u00e3o ou fun\u00e7\u00e3o do tecido adiposo e com causas multifatoriais ainda n\u00e3o totalmente compreendidas\u00bb. Por outro lado, os especialistas prop\u00f5em uma abordagem mais integral que, para al\u00e9m do \u00edndice de massa corporal (IMC), inclua o n\u00edvel de adiposidade e outros fatores determinantes no diagn\u00f3stico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>O que \u00e9 que esta mudan\u00e7a significa, Miguel?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A nova defini\u00e7\u00e3o de obesidade introduziu <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">nuances<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00c9 mais pormenorizada e inclui par\u00e2metros que n\u00e3o eram tidos em conta anteriormente. Mais importante ainda, esta nova abordagem procura ir al\u00e9m do \u00edndice de massa corporal (IMC) para diagnosticar a obesidade e reconhece as limita\u00e7\u00f5es do m\u00e9todo anterior. Outro ponto importante \u00e9 que d\u00e1 \u00eanfase ao facto de que<\/span><b> o excesso de gordura afeta a fun\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os e a sa\u00fade em geral, e n\u00e3o apenas a massa corporal<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>Considera tamb\u00e9m a natureza multifatorial e complexa da obesidade e a necessidade de diagn\u00f3sticos personalizados.\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Note-se que esta \u00e9 uma quest\u00e3o controversa. A Associa\u00e7\u00e3o Europeia para o Estudo da Obesidade (EASO) apresentou uma abordagem diferente, publicada na <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-024-03095-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nature Medicine<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. A sua proposta reconhece que o IMC, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente para diagnosticar a obesidade e sublinha a import\u00e2ncia da distribui\u00e7\u00e3o da gordura corporal, ou seja, o local onde se acumula, bem como a presen\u00e7a de problemas m\u00e9dicos, funcionais ou psicol\u00f3gicos. A controv\u00e9rsia surge devido \u00e0s implica\u00e7\u00f5es que este facto tem no diagn\u00f3stico e no tratamento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, de um ponto de vista biol\u00f3gico, continua a considerar-se o mesmo que anteriormente: <\/span><b>uma situa\u00e7\u00e3o em que ingerimos mais calorias do que aquelas que conseguimos gastar<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Estas calorias s\u00e3o armazenadas sob a forma de gordura e a sua acumula\u00e7\u00e3o favorece frequentemente o desenvolvimento de comorbidades associadas, como a diabetes.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b><i>A obesidade tem um grande impacto na sa\u00fade. Porque \u00e9 que alguns pa\u00edses ainda n\u00e3o a reconhecem como uma doen\u00e7a?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><b>A obesidade tem um estigma hist\u00f3rico.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00c9 muitas vezes interpretada como uma consequ\u00eancia associada a pessoas que n\u00e3o cuidam de si, que comem em excesso e de forma descontrolada. Mas isto \u00e9 um mito que temos de combater.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 verdade que alguns casos de obesidade est\u00e3o relacionados com o estilo de vida, mas<\/span><b> muitos outros devem-se simplesmente ao \u201cazar\u201d gen\u00e9tico,<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> isto \u00e9, muitas pessoas herdam genes que as predisp\u00f5em a desenvolv\u00ea-la. Estes genes foram, sem d\u00favida, muito ben\u00e9ficos do ponto de vista evolutivo em situa\u00e7\u00f5es de pouca disponibilidade de alimentos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Em muitos pa\u00edses, \u00e9 prov\u00e1vel que este estigma se mantenha. Felizmente, em Espanha e no mundo ocidental, a obesidade \u00e9 hoje reconhecida como uma patologia.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> E digo \u201cfelizmente\u201d porque isso permite-nos abord\u00e1-la numa perspetiva de sa\u00fade p\u00fablica e trabalhar para reduzir a sua incid\u00eancia e preval\u00eancia. Mesmo assim, em Espanha, deparamo-nos com um paradoxo: o Sistema Nacional de Sa\u00fade financia o tratamento de outros fatores de risco e comorbidades, como o tabagismo, a hipertens\u00e3o, o colesterol e a diabetes, mas n\u00e3o financia o tratamento da obesidade. Tendo em conta os pre\u00e7os elevados dos novos medicamentos contra a obesidade, esta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a provocar grandes diferen\u00e7as sociais no acesso dos doentes ao tratamento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Que papel desempenha a gen\u00e9tica na obesidade?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como referi anteriormente, muitas pessoas acreditam que a obesidade se deve apenas a uma m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 falta de exerc\u00edcio f\u00edsico. No entanto, em muitos casos, a <\/span><b>gen\u00e9tica desempenha um papel crucial na altera\u00e7\u00e3o do sistema que regula o equil\u00edbrio energ\u00e9tico<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Quantitativamente, \u00e9 dif\u00edcil ser preciso, mas estudos com g\u00e9meos estimaram a hereditariedade da obesidade entre 40 e 70%.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A obesidade est\u00e1 relacionada com a intera\u00e7\u00e3o entre um grande n\u00famero de genes, prote\u00ednas e todos os tipos de metabolitos (glicose, l\u00edpidos, etc.). Uma muta\u00e7\u00e3o num gene que codifica uma hormona ou o seu recetor pode levar \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de gordura. Um exemplo disto \u00e9 um tipo de obesidade causada por muta\u00e7\u00f5es no gene de uma hormona chamada leptina ou do seu recetor, levando \u00e0 obesidade m\u00f3rbida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas estas causas gen\u00e9ticas acabam por produzir o mesmo resultado:<\/span><b> um desequil\u00edbrio entre as calorias ingeridas e as calorias gastas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> que pode dever-se a um excesso de ingest\u00e3o, a uma diminui\u00e7\u00e3o do gasto energ\u00e9tico ou a uma combina\u00e7\u00e3o de ambos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Podemos ent\u00e3o falar de uma \u00fanica obesidade?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o. O que acontece com a obesidade \u00e9 semelhante ao que acontece com o cancro. N\u00e3o podemos falar de uma \u00fanica doen\u00e7a. Quando falamos de cancro, referimo-nos a uma s\u00e9rie de patologias que partilham uma base comum: a prolifera\u00e7\u00e3o anormal e descontrolada de c\u00e9lulas em tecidos onde n\u00e3o deveriam estar. No entanto, existem muitas muta\u00e7\u00f5es ou outras causas que conduzem a diferentes tipos de cancro, cada um com tratamentos espec\u00edficos. O mesmo acontece com a obesidade: <\/span><b>diferentes altera\u00e7\u00f5es, gen\u00e9ticas ou n\u00e3o, podem levar ao mesmo resultado, mas a origem pode ser muito diferente<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Porque \u00e9 que o nosso corpo tende a acumular gordura, se esta pode causar patologias?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 cerca de 300 000 anos, quando o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Homo sapiens <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">surgiu, n\u00e3o faz\u00edamos tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es por dia, e conseguir comida era um desafio. Al\u00e9m disso, t\u00ednhamos de estar atentos aos predadores, o que nos obrigava a despender muita energia, tanto para nos alimentarmos como para fugirmos dos que nos queriam devorar. <\/span><b>Estas condi\u00e7\u00f5es adversas favoreceram o sucesso de genes de armazenamento de energia altamente eficientes.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00c9 de notar que a sele\u00e7\u00e3o destes genes n\u00e3o afetou apenas os seres humanos. Toda a hist\u00f3ria evolutiva anterior, desde a origem dos animais, favoreceu perfis gen\u00e9ticos muito eficientes em termos energ\u00e9ticos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ora, se colocarmos o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Homo sapiens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> num ambiente com excesso de calorias e n\u00e3o houver um gasto adequado dessa energia, \u00e9 l\u00f3gico que <\/span><b>acumule essas calorias sob a forma de gordura, especificamente triglic\u00e9ridos. Estes l\u00edpidos s\u00e3o ideais para armazenar energia, uma vez que t\u00eam o desenho molecular perfeito para este fim<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>T\u00eam muitas liga\u00e7\u00f5es entre os \u00e1tomos de carbono e s\u00e3o hidrof\u00f3bicos, ou seja, n\u00e3o acumulam \u00e1gua, que \u00e9 acal\u00f3rica.<\/b><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><b><i>H\u00e1 cada vez mais provas de que a origem da obesidade tamb\u00e9m est\u00e1 ligada ao sistema nervoso central.\u00a0<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sim. O controlo do ganho e da perda de calorias \u00e9 gerido pelo sistema nervoso central. Em particular, h\u00e1 duas \u00e1reas-chave envolvidas neste processo: <\/span><b>o tronco cerebral e o hipot\u00e1lamo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tronco cerebral, localizado na base do c\u00e9rebro, na nuca, atua como via de comunica\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9rebro, a medula espinal e os nervos perif\u00e9ricos. No meu grupo, concentr\u00e1mo-nos principalmente no hipot\u00e1lamo, uma regi\u00e3o crucial para os mecanismos relacionados com a sobreviv\u00eancia, como a ingest\u00e3o de alimentos e \u00e1gua, o gasto de energia, os ritmos circadianos, o ciclo sono-vig\u00edlia, a fun\u00e7\u00e3o end\u00f3crina e a reprodu\u00e7\u00e3o. <\/span><b>O hipot\u00e1lamo recebe informa\u00e7\u00f5es tanto de est\u00edmulos sensoriais como de par\u00e2metros metab\u00f3licos, como os n\u00edveis de glicose, l\u00edpidos e hormonas, e junta-as para gerar uma resposta homeost\u00e1tica adequada.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Em fisiologia, a homeostase \u00e9 a tend\u00eancia dos sistemas e \u00f3rg\u00e3os de se equilibrarem ou funcionarem bem. Uma resposta homeost\u00e1tica pode ser, por exemplo, induzir o apetite quando n\u00e3o s\u00e3o ingeridos alimentos durante um per\u00edodo de tempo prolongado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algumas muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que afetam os mecanismos de controlo do hipot\u00e1lamo podem levar \u00e0 obesidade. Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 a disfun\u00e7\u00e3o do recetor da melanocortina, um tipo de hormona que inibe a ingest\u00e3o de alimentos. Quando esta hormona est\u00e1 ausente ou o recetor n\u00e3o funciona corretamente, as pessoas t\u00eam tend\u00eancia para comer em excesso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Se tivesse de destacar o avan\u00e7o mais promissor da investiga\u00e7\u00e3o sobre a obesidade nos \u00faltimos anos, qual seria?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu diria que foi o de <\/span><b>Jeffrey M. Friedman<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, que, <\/span><b>em 1994, descobriu a leptina<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, uma hormona que informa o hipot\u00e1lamo sobre as reservas de gordura e regula o equil\u00edbrio energ\u00e9tico. Mudou a forma como entendemos o metabolismo, a endocrinologia e tudo o que tem que ver com o estudo da obesidade. Houve muitos avan\u00e7os desde ent\u00e3o, mas creio que nenhum contribuiu tanto como o de Jeffrey M. Friedman.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se tivesse de escolher um mais recente, dos \u00faltimos 15 anos, destacaria a cria\u00e7\u00e3o dos<\/span><b> f\u00e1rmacos \u00e0 base de GLP-1<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, uma hormona fundamental na regula\u00e7\u00e3o da glicemia. Estes medicamentos atuam como agonistas, ou seja, ligam-se ao mesmo recetor e ativam as mesmas vias que o GLP-1. O seu desenvolvimento conduziu a uma mudan\u00e7a de paradigma no tratamento de v\u00e1rias doen\u00e7as.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m s\u00e3o muito importantes todos os <\/span><b>estudos que nos permitiram compreender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre o hipot\u00e1lamo e a obesidade<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Por exemplo, a identifica\u00e7\u00e3o da prote\u00edna AMPK como um sensor-chave de energia no hipot\u00e1lamo. O nosso grupo contribuiu ativamente para o seu estudo, uma vez que oferece grandes possibilidades no dom\u00ednio terap\u00eautico. Os \u00faltimos avan\u00e7os nas \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">-omics<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d indicam tamb\u00e9m que o hipot\u00e1lamo, uma das \u00e1reas do c\u00e9rebro mais complexas do ponto de vista anat\u00f3mico e funcional, \u00e9 ainda mais complicado do que pens\u00e1vamos. Estes estudos abriram a porta a novas interroga\u00e7\u00f5es e a um futuro estimulante. Concretamente, estamos a verificar que <\/span><b>\u00e9 essencial compreender o seu papel fundamental noutras patologias relacionadas com a massa corporal, por exemplo, a caquexia<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> ou diminui\u00e7\u00e3o da massa corporal e a anorexia, associadas \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o, <\/span><b>que acompanham o cancro<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">; este \u00e9 um t\u00f3pico em que o meu grupo de investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 a trabalhar ativamente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Est\u00e1 a falar dos<\/i><\/b> <a href=\"https:\/\/www.medicalnewstoday.com\/articles\/glp-1-recetor-agonists-type-2-diabetes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><i>an\u00e1logos do GLP-1<\/i><\/b><\/a><b><i>, em que se baseiam medicamentos como o Ozempic ou o Mounjaro, que refor\u00e7am os mecanismos de \u201cqueima de gordura\u201d. Funcionam?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estes medicamentos \u00e0 base de an\u00e1logos do GLP-1 constitu\u00edram uma revolu\u00e7\u00e3o no tratamento da obesidade, demonstrando efeitos muito potentes na pr\u00e1tica cl\u00ednica. A chave est\u00e1 no seu<\/span><b> duplo efeito muito poderoso<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, incr\u00edvel, diria eu: <\/span><b>inibem a ingest\u00e3o e tamb\u00e9m reduzem a massa corporal<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Outro ponto interessante sobre estes novos medicamentos \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 eficazes no tratamento da obesidade, mas <\/span><b>tamb\u00e9m ajudam a resolver in\u00fameras patologias associadas a esta condi\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, como a diabetes. Os ensaios cl\u00ednicos est\u00e3o mesmo a demonstrar a sua efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o cardiovascular, na prote\u00e7\u00e3o renal e na apneia do sono.\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m de todos os efeitos positivos, at\u00e9 agora, <\/span><b>n\u00e3o parecem ocorrer efeitos secund\u00e1rios graves<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de alguma intoler\u00e2ncia quando as doses s\u00e3o aumentadas e uma sensa\u00e7\u00e3o de desconforto intestinal ou estomacal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>H\u00e1 outros tratamentos a serem desenvolvidos?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas empresas farmac\u00eauticas est\u00e3o agora a concentrar-se no desenvolvimento de <\/span><b>tratamentos mais espec\u00edficos, dirigidos a tipos espec\u00edficos de obesidade, uma vez que nem todos os doentes respondem da mesma forma a estes medicamentos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Por exemplo, existe um grande interesse nos agonistas triplos (das mol\u00e9culas GLP-1+, GIP+ e glucagon), que demonstraram efeitos realmente espetaculares (mais de 25% de perda de massa corporal) em modelos pr\u00e9-cl\u00ednicos e tamb\u00e9m em ensaios cl\u00ednicos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Um aspeto fundamental a ter em conta no desenvolvimento destes tratamentos \u00e9 garantir que a perda de massa corporal se concentra na redu\u00e7\u00e3o de gordura e n\u00e3o na perda de m\u00fasculo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, que pode levar a outros problemas de sa\u00fade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na minha opini\u00e3o, o que seria relevante \u2013 e a ind\u00fastria farmac\u00eautica parece estar a ignorar isto \u2013 seria o <\/span><b>desenvolvimento de medicamentos <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">que n\u00e3o s\u00f3 reduzissem a ingest\u00e3o homeost\u00e1tica (necessidade de ingerir calorias) e hed\u00f3nica (prazer de comer), mas <\/span><b>tamb\u00e9m aumentassem o gasto energ\u00e9tico ou, idealmente, regulassem tanto a ingest\u00e3o como o gasto<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Outro aspeto muito importante seria conseguir <\/span><b>compreender e saber tratar as diferen\u00e7as de sexo que est\u00e3o associadas ao desenvolvimento da obesidade.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Podemos esperar um aumento ou uma estabiliza\u00e7\u00e3o dos casos nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estes medicamentos representam um importante passo em frente. Espero que a situa\u00e7\u00e3o geral se estabilize e que o n\u00famero de casos comece a diminuir. De facto, <\/span><b>existe uma crescente consci\u00eancia social da import\u00e2ncia de um estilo de vida saud\u00e1vel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Tamb\u00e9m est\u00e1 a haver um trabalho cient\u00edfico e cl\u00ednico muito importante que est\u00e1 a tentar mudar os h\u00e1bitos das pessoas. S\u00e3o coisas que n\u00e3o se conseguem de um dia para o outro, mas sou otimista e acredito que, <\/span><b>entre o desenvolvimento de novas terapias e a melhoria dos estilos de vida<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, a situa\u00e7\u00e3o possa ser controlada pouco a pouco, embora estejamos a falar de muitas d\u00e9cadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>Que pol\u00edticas p\u00fablicas poderiam fazer a diferen\u00e7a na preven\u00e7\u00e3o da obesidade?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 essencial desenvolver o conhecimento sobre os mecanismos que levam \u00e0 obesidade e, para tal, <\/span><b>\u00e9 fundamental apoiar a investiga\u00e7\u00e3o, como a Funda\u00e7\u00e3o \u201dla Caixa\u201d est\u00e1 a fazer de uma forma excecional.<\/b> <b>Sem investimento em investiga\u00e7\u00e3o, o progresso n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel. Todos os grandes avan\u00e7os da hist\u00f3ria da humanidade passaram por ela, n\u00e3o podemos esquecer.\u00a0 <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A este respeito, a partilha de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para criar uma <\/span><b>consci\u00eancia social e especialmente pol\u00edtica<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> sobre estas quest\u00f5es. No que diz respeito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m fundamental promover o desenvolvimento de estilos de vida mais saud\u00e1veis e que se aposte no tratamento nos casos em que \u00e9 necess\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante sublinhar que <\/span><b>os m\u00e9dicos \u00e9 que t\u00eam a \u00faltima palavra no tratamento dos doentes<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Devemos esquecer as dietas milagrosas e os medicamentos para queimar gordura (que proliferam na Internet) e falar com profissionais, como endocrinologistas e especialistas em metabolismo, que s\u00e3o os que realmente sabem como tratar e aconselhar os doentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b><i>O que est\u00e1 a investigar atualmente?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos a fazer investiga\u00e7\u00e3o para encontrar um tratamento para a obesidade relacionado com o hipot\u00e1lamo, sem necessidade de interven\u00e7\u00f5es invasivas. A nossa estrat\u00e9gia consiste em utilizar os exossomas, pequenas ves\u00edculas que as c\u00e9lulas produzem para comunicar, <\/span><b>e carreg\u00e1-los com ferramentas que nos permitam modificar as \u201cinstru\u00e7\u00f5es\u201d do hipot\u00e1lamo, em particular a atividade da prote\u00edna AMPK.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> O projeto, totalmente financiado pelo CaixaResearch, constituiu um ponto de viragem na linha de investiga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tivemos v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es em revistas de prest\u00edgio, como a <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s42255-021-00467-8)%20o%20Metabolism%20en%202023%20(https:\/www.metabolismjournal.com\/article\/S0026-0495(22)00228-1\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nature Metabolism<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, em 2021. Tamb\u00e9m desenvolvemos uma patente, que j\u00e1 foi licenciada e da qual j\u00e1 <\/span><b>surgiu uma spin-off chamada<\/b> <a href=\"https:\/\/gazellabiotech.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Gazella Biotech<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Utilizando exossomas, desenvolvemos tamb\u00e9m outra <\/span><b>patente para o tratamento do acidente vascular cerebral isqu\u00e9mico, uma doen\u00e7a associada \u00e0 obesidade<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. O artigo sobre este tema foi, ali\u00e1s, recentemente publicado na revista <\/span><a href=\"https:\/\/www.metabolismjournal.com\/article\/S0026-0495(25)00029-0\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Metabolism<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>As vantagens da terapia com exossomas s\u00e3o: a sua especificidade, o facto de conhecermos perfeitamente o mecanismo de a\u00e7\u00e3o (o que n\u00e3o acontece com muitos dos medicamentos em uso ou em desenvolvimento) e a aus\u00eancia total de efeitos secund\u00e1rios em modelos pr\u00e9-cl\u00ednicos.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Com os exossomas, trat\u00e1mos um n\u00famero muito limitado de neur\u00f3nios no hipot\u00e1lamo e obtivemos altera\u00e7\u00f5es muito marcadas nos animais estudados, que perdem muita massa corporal independentemente da ingest\u00e3o. <\/span><b>Por outras palavras, conseguimos fazer com que ratos que seguem uma dieta de 60% de gordura percam muito peso, mas sem deixar de comer.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Al\u00e9m disso, mant\u00eam a massa corporal baixa durante muito tempo sem quaisquer efeitos secund\u00e1rios associados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos a tentar, como j\u00e1 referi, desenvolver combina\u00e7\u00f5es de exossomas que nos permitam tratar simultaneamente a ingest\u00e3o e o gasto de energia, modular outras mol\u00e9culas para al\u00e9m da AMPK e melhorar as suas formas de administra\u00e7\u00e3o (atualmente, intravenosa).\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><b><i>Essa terapia poder\u00e1 vir a ser aplicada aos seres humanos?<\/i><\/b><\/h3>\n<p><b>Espero sinceramente que sim.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Estamos atualmente a realizar ensaios para desenvolver um produto que, se for aprovado em todos os requisitos regulamentares, poder\u00e1 vir a ser utilizado em seres humanos. Mas, para isso, precisamos de obter o financiamento necess\u00e1rio, porque <\/span><b>estamos a falar de um processo longo, que custa muitos milh\u00f5es de euros<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desenvolvimento de medicamentos, a menos que seja numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia global como a COVID-19, em que todos os protocolos s\u00e3o muito acelerados, leva sempre algum tempo. <\/span><b>Desde a sua descoberta e publica\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o em seres humanos, podem passar facilmente mais de 15 anos.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> O processo \u00e9 lento e trabalhoso, e tem de o ser, porque o n\u00famero de par\u00e2metros a controlar \u00e9 elevado e, acima de tudo, os efeitos secund\u00e1rios t\u00eam de ser evitados.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-10021\" src=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Uma em cada oito pessoas no mundo vive com <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/obesity-and-overweight\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">obesidade<\/a>. Desde 1990, a taxa de obesidade nos adultos duplicou e nos adolescentes quadruplicou. Apesar da sua elevada preval\u00eancia e estigma, \u00e9 uma patologia que estamos a compreender cada vez melhor.<\/p>\n<p>Hoje, no \u00e2mbito do Dia Mundial da Obesidade, que se celebrou a 4 de mar\u00e7o, fal\u00e1mos com o especialista Miguel L\u00f3pez, investigador da rede CaixaResearch no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Medicina Molecular e Doen\u00e7as Cr\u00f3nicas (CiMUS) da Universidade de Santiago de Compostela. Discutimos com ele os \u00faltimos desenvolvimentos em mat\u00e9ria de obesidade.\u00a0<\/p>\n<p>Em janeiro deste ano, uma comiss\u00e3o global apoiada por mais de 75 organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas de todo o mundo publicou uma nova defini\u00e7\u00e3o de obesidade na revista <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/commissions\/clinical-obesity\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>The Lancet<\/i><\/a>: \u00abCondi\u00e7\u00e3o caracterizada por excesso de gordura,<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[597,598],"tags":[],"class_list":["post-10019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divulgacao-cientifica","category-investigacao"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Estamos mais perto de curar a obesidade? 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Discutimos com ele os \u00faltimos desenvolvimentos em mat\u00e9ria de obesidade.\u00a0 Em janeiro deste ano, uma comiss\u00e3o global apoiada por mais de 75 organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas de todo o mundo publicou uma nova defini\u00e7\u00e3o de obesidade na revista The Lancet: \u00abCondi\u00e7\u00e3o caracterizada por excesso de gordura,\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/estamos-mais-perto-de-curar-a-obesidade-perguntamos-ao-especialista\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Blog CaixaCi\u00e8ncia\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-03-18T11:18:22+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Blog_PT-1-scaled.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2560\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1440\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ubikmedia\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ubikmedia\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/estamos-mais-perto-de-curar-a-obesidade-perguntamos-ao-especialista\/\",\"url\":\"https:\/\/blog.caixaresearch.org\/pt-pt\/estamos-mais-perto-de-curar-a-obesidade-perguntamos-ao-especialista\/\",\"name\":\"Estamos mais perto de curar a obesidade? 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Hoje, no \u00e2mbito do Dia Mundial da Obesidade, que se celebrou a 4 de mar\u00e7o, fal\u00e1mos com o especialista Miguel L\u00f3pez, investigador da rede CaixaResearch no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Medicina Molecular e Doen\u00e7as Cr\u00f3nicas (CiMUS) da Universidade de Santiago de Compostela. 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